29/09/2020 às 12h29min - Atualizada em 29/09/2020 às 11h45min

Falha de projeto?

Carlos Alberto Goldani - stilohouse.com.br



Citicorp Center – Nova York

Um erro de projeto resultou em vulnerável a construção do Citicorp Center, uma edificação de 59 andares em Nova York. Um vento mais forte poderia ter derrubado o edifício. A falha não foi notada até que uma estudante da Universidade de Princeton levantou questões um ano após sua inauguração em 1977. Uma estudante de engenharia civil, Diane Hartley, consultou os engenheiros e arquitetos responsáveis pela obra para tentar encontrar um erro em seus cálculos em um trabalho acadêmico sobre a construção. A Srta. Hartley presumiu que seus resultados estavam errados, não estavam. A configuração única do edifício apoiado em quatro palafitas tornava seus cantos vulneráveis à carga do vento. Os reparos necessários foram realizados durante a noite para evitar o pânico, o segredo foi mantido por décadas.

A mesma coisa pode ter acontecido com a Honda RC213V de 2020, um erro de projeto é possivelmente a razão dos maus resultados obtidos pelos protótipos nos GPs. Não há outra explicação plausível. Na primeira prova da  temporada Marc Márquez, um dos pilotos mais talentosos em atividade, perdeu o controle da moto por duas vezes, algo improvável em alguém reconhecido por sua capacidade de adaptação ao equipamento e recuperação do controle em situações onde a queda é considerada inevitável. Como era a primeira prova da temporada, a pandemia havia prejudicado a preparação dos pilotos e a fornecedora Michelin trocou as características do pneu traseiro, as circunstâncias do acidente foram relevadas.

 Algo estranho já havia acontecido nos testes que antecederam o primeiro GP em Jerez, Cal Crutchlow, um condutor experimentado que já venceu três provas (2016 & 2018) com protótipos da Honda, também perdeu o controle e fraturou a mão. Alegar que a equipe não tem pilotos adequados e que é a primeira temporada de Alex Márquez na classe principal é um contrassenso, Alex superou Brad Binder no mundial da Moto2 de 2019 e o sul-africano já venceu esta temporada. O irmão de Marc é um piloto de qualidade inquestionável, tem dois títulos mundiais (Moto3 em 2014 & Moto2 em 2019) e acumula 12 vitórias, 38 pódios e 15 poles em 143 participações em todas as classes da MotoGP. O piloto que assumiu a vaga de Marc Márquez enquanto o atual campeão se recupera da fratura do braço, Stefan Bradl, é o recurso de testes da equipe e provavelmente a pessoa que tenha mais familiaridade com equipamento. Bradl tem no histórico 1 mundial da Moto2, 7 vitórias, 19 pódios e 8 poles em 188 participações, contando todas as categorias.


Stefan Bradley na RC213V 2020

Outro indicativo que o modelo 2020 tem algum problema de origem é o fato de que o piloto da independente LCR, que disputa com um modelo RC231V antigo, o equipamento que Marc Márquez utilizou em 2019, obtém sistematicamente melhores resultados que os representantes da equipe oficial. Takaaki Nakagami tem um currículo muito inferior a Alex e Stefan, nunca venceu um mundial e tem 2 vitórias, 14 pódios e 5 poles, todos os resultados obtidos na Moto2. O japonês disputa o mundial desde 2007 (125cc) e foi promovido para a principal categoria em 2018, até os dias atuais a sua melhor colocação nos mundiais aconteceu em 2017, 7º classificado na Moto2.

A ausência de Marc tem sido a principal desculpa para mascarar o insucesso da Honda nesta temporada. Os registros de 7 etapas seguidas sem estar presente uma única vez no pódio e a ocorrência cada vez mais provável de um ano inteiro sem estar entre os três primeiros dos GPs não é consistente com a história da marca japonesa, agravado pelo desempenho recente da Yamaha e Suzuki, suas concorrentes diretas no mercado nipônico.  



Barcelona 2020 - Primeiro pódio na temporada para Alex Rins 

Condensar toda a temporada em poucos meses trouxe alguns problemas para a fornecedora de pneus. Com o GP da Catalunha agendado para uma época diferente do habitual (em junho) e programado para o final de setembro, a Michelin foi forçada a utilizar dados meteorológicos históricos para a área de Barcelona, para fazer a seleção adequada de compostos para os pneus. Dados anteriores sugeriam uma temperatura ambiente média de 27° C, semelhante ao esperado para junho, porém o fim de semana foi muito mais frio e com mais vento que o previsto, com uma temperatura ambiente de apenas 17° C e temperatura da pista de 20° C. Somente para efeitos de comparação, na corrida de Andaluzia em Jerez de julho a temperatura de pista foi de 59° C.

Como resultado prático, para correr na superfície fria e escorregadia da pista da Catalunha, todos os 22 pilotos selecionaram para a corrida o pneu traseiro macio. 17 pilotos também optaram pela frente macia, enquanto os outros cinco escolheram o médio. Ninguém optou pelo composto Hard.

Apesar do componente macio na frente, muitos pilotos tiveram problemas de aquecimento no lado esquerdo do composto, que é menos utilizado, não atingia a temperatura ideal. Quatro pilotos caíram após perderem a frente, a maioria, entretanto, conseguiu se adaptar e o tempo de vitória de Fabio Quartararo foi apenas dois segundos mais lento que Marc Márquez em 2019. A melhor volta do francês foi mais rápida que Márquez no ano passado.

 A Michelin observou os dados históricos e escolheu uma gama de compostos adequada para um clima mais quente. Infelizmente as temperaturas foram muito menores que o esperado e dificultou aos pilotos obter o calor adequado para utilizar a maior aderência da pista.

O próximo Grande Prêmio da França, circuito de Le Mans, também está previsto para ser frio, a data tradicional do evento é maio, o que significa que a seleção de pneus da Michelin deve ser adequada a essas condições.



Johann Zarco tirou Dovizioso da prova na Catalunha

Com 8 etapas concluídas e faltando 6 provas, o campeonato começa a apresentar candidatos ao título. Até o meio da temporada, quatro pilotos estavam separados por apenas 4 pontos. Andrea Dovizioso que liderava a contagem antes de Barcelona foi atropelado por Johann Zarco e ficou estacionado, Fábio Quartararo obteve a sua 3ª vitória e retomou a liderança, Maverick Vinales viu sua pole na prova transformar-se em uma decepcionante 9ª colocação e Joan Mir com uma surpreendente Suzuki conquistou uma 2ª colocação que, apesar de não pontuar em duas provas (abertura em Jerez e na República Checa), em todas as outras conquistou pontos expressivos e apenas 8 o separam do líder.
Fábio Quartararo conquistou a 3ª vitória na temporada



Terceira vitória de Fabio Quartararo em 2020

O GP da Catalunha apresentou um inédito duplo pódio da Suzuki (Mir e Rins) e comprovou as suspeitas que o novo componente traseiro da Michelin desequilibrou a disputa em favor dos motores com cilindros em linha (Yamaha e Suzuki). As motos V4 ainda não descobriram como obter mais rendimento com o maior grip do novo composto. A enorme reta do circuito de Barcelona não foi suficiente para a maior velocidade final dos V4 impor sua superioridade
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