21/07/2020 às 19h02min - Atualizada em 21/07/2020 às 18h41min

MotoGp: Marc Márquez roubou o espetáculo

carlos alberto goldani - stilohouse.com.br
MotoGP - Jerez 2020 GP 01

Ao assistir ao GP de Jerez, prova de abertura da temporada de 2020, quem acompanha a MotoGP com regularidade deve ter lembrado da prova de Rio Hondo, 2018, onde por problemas na largada (percorreu parte da pista no sentido contrário depois da moto desligar no grid), foi penalizado com um path-through, voltou para as últimas posições. Iniciou uma recuperação alucinada, parecia uma locomotiva descontrolada a todo o vapor, simplesmente ignorando o que tinha em frente. Naquela prova Márquez recebeu três penalizações, mais um recorde em sua carreira.

Em Jerez seu desempenho esteva à altura de seu conceito como um piloto extraordinário. Conseguiu uma recuperação fantástica de uma perda da frente, consequência provável do maior grip do novo pneu traseiro, que resultou em um tour pelo cascalho na volta 5 e resultou em trocar a liderança pelas últimas colocações. Foi o gatilho para mais uma participação memorável.   

Mais uma vez ele mostrou a sua capacidade em um ritmo consistente, muitos décimos mais abaixo que o líder. Progrediu ultrapassando por dentro ou por fora os pilotos  mais rápidos do planeta, sem nenhuma manobra de ética questionável. Quando caiu já estava no pódio (3º) e enquadrando a Yamaha de Vinales. Não teria tempo para alcançar o líder Quartararo. 

Sua queda foi estranha. Faltando quatro voltas para o final, Márquez estava acelerando da curva 2 para a curva três, seu pneu traseiro deslizando no asfalto na entrada da curva, depois recuperando a aderência enquanto ele aliviava o acelerador em direção ao ápice. Foi no ápice, que beliscou a tinta do interior da curva, pneu traseiro recuperou a tração e transferiu para o piso todo torque do motor Honda, provocando um high-side (catapultando o piloto). Márquez tem uma técnica invejável até para cair, mas não funcionou desta vez e um choque com o pneu causou uma fratura o seu úmero direito.

Teria a pintura da pista ter sido a causa do acidente? A resposta só pode ser sugerida, por que depende de uma série de variáveis relacionadas. Com certeza a tinta não tema mesma aderência do asfalto, mas o controle de tração deveria ter impedido a transferência brutal de energia para o piso. Como o novo pneu dificulta às motos com muita potência (V4) trocar de direção, talvez seja uma opção desabilitar o controle de tração e passar a responsabilidade para os pilotos. Petrucci com certeza, Márquez e Dovizioso talvez tenham utilizado este recurso.

Cada piloto que ele ultrapassou na sua escalada às primeiras posições aumentava os riscos, quando o 2º colocado Maverick Vinales recebeu o sinal de que o campeão mundial estava em sua caça, aumentou seu ritmo em vários décimos. Muitos analistas, profetas do acontecido, indicam que Márquez deveria ter ficado feliz com o pódio. Só quem não conhece o espanhol 8 vezes campeão do mundo pode imaginar uma heresia destas.

Durante as semanas que antecederam o início atrasado do campeonato de 2020 – oito meses e dois dias após o Valencia 2019 –, os pilotos foram unânimes em que numa temporada tão compactada é importante evitar lesões. Em tese (Never say never in MotoGP) Márquez vai ficar sem pontuar duas provas e fora da disputa do título 2020. Fica mais fácil entender por que a Repsol Honda assinou com a Espargaro para 2021. A HRC precisa de uma equipe de MotoGP com um armamento de cano duplo.




 
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