12/06/2020 às 08h28min - Atualizada em 12/06/2020 às 08h28min

Fórmula 1: Por que não existem mais brasileiros na Fórmula 1?

Por Renata Veríssimo

Renata Veríssimo - STH Automobilismo

 Na Fórmula 1, o Brasil é sem dúvida alguma um dos países mais tradicionais da categoria. A bandeira verde e amarela carrega muitas histórias, pilotos campeões mundiais, e corridas inesquecíveis que ficaram para a história da categoria mais importante do automobilismo. Porém, desde a saída do piloto Felipe Massa em 2017, não vemos mais pilotos brasileiros titulares dentro do grid.
 A falta de brasileiros na Fórmula 1 não é obra do acaso, nem é motivada por uma única razão, e com certeza não é a ausência de jovens talentos, mas a falta de investimento, corrupção dentro da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), entre outras coisas, colocam barreiras para a ascensão de um novo piloto brasileiro dentro da categoria rainha do monospot.
 
Falta de investimento nas categorias de base
 
No Brasil, infelizmente, não se tem a cultura de cultivar e cuidar dos atletas de base. A base é de extrema importância se um país quer ser potência em algo. Cuidando, investindo e dando o suporte necessário para a evolução daqueles que estão apenas começando, a longo prazo, tem-se atletas prontos para brigar em campeonatos a níveis mundiais. Ou seja, é a partir da base que o esporte se desenvolve e torna-se grande, e qualquer piloto dirá que as categorias de base foram fundamentais para o desenvolvimento de sua carreira.
A categoria de base do automobilismo é o kart, e estima-se que os praticantes gastem por volta de oito mil reais semanais para se manter no esporte, e sem o incentivo financeiro governamental ou o papel mais atuante da CBA para a busca de patrocinadores, fica cada vez mais difícil a lapidação de novos talentos.
 
Poucas competições de base no Brasil 

Naturalmente, quem pensa em um dia se tornar piloto de Fórmula 1, o próximo passo depois do kart é correr em campeonatos menores, como um Fórmula 4 ou Fórmula 3 nacional e/ou continental, para praticar e desenvolver-se cada vez mais, mas os pilotos brasileiros sofrem com a falta de competições de base, o que traz um retrocesso na cenário do automobilismo brasileiro. No Brasil tem somente a Fórmula 3 e a Fórmula Inter.
 
Superlicença 

Com a chegada de Max Verstappen na Toro Rosso em 2015, com apenas 17 anos, gerou-se um debate acalorado sobre pilotos que chegam cedo demais na Fórmula 1, e se deveria ter um mínimo de idade para a permanência do mesmo. Desde então, a FIA adotou uma série de qualificações para que o piloto consiga sua superlicença, e é essa licença especial que autoriza o atleta a dirigir na Fórmula 1.
Para entrar com o pedido de superlicença, precisa ter no mínimo 18 anos a contar no primeiro treino livre do primeiro final de semana da temporada de Fórmula 1, ter pelo menos duas temporadas de qualquer campeonato de base, possuir carteira de habilitação em seu país de origem, completar um questionário sobre o livro de regras da FIA e das regras esportivas da Fórmula 1, além de acumular 40 pontos em alguns campeonatos. Há algumas formas de conseguir esses 40 pontos, por exemplo, ganhando a Fórmula 2. Atualmente, dos pilotos considerados o futuro do Brasil no monoposto, somente dois conseguiram a superlicença: Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmara.
 
Indicíos de corrupção na Confederação Brasileira de Automobilismo  

Manchando o nome do automobilismo no Brasil, a CBA possuí inúmeros casos de suspeita de corrupção. As acusações vão de fraude, tráfico de influência ( link abaixo), até uso indevido do cartão corporativo.
Não precisamos nem falar que essa “indecência” dentro da entidade que deveria ajudar a promover o automobilismo brasileiro faz com que o esporte dê uma “marcha ré” e torne ainda mais precário o cenário tupiniquim de automobilismo.
https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/05/28/justica-bloqueia-r-7696-mil-de-ex-prefeita-de-ribeirao-preto-por-desvio-de-verba-da-stock-car.ghtml
https://www.grandepremio.com.br/outras/noticias/ministerio-publico-e-oab-investigam-corrupcao-na-confederacao-brasileira-de-automobilismo-revela-revista/

 
Mercado de pilotos cada vez mais competitivo  

Não só no Brasil, mas no mundo inteiro encontra-se jovens pilotos com talento e dispostos a seguir carreira até um dia se tornar um piloto de Fórmula 1. O talento e a velocidade ainda são fatores importantes para ser um piloto de sucesso, porém estamos na “era da tecnologia” e o esporte acompanha as mudanças do mundo. Por conta disso o mercado de pilotos tem diferenciado-se cada vez mais e exigido um conhecimento técnico muito maior do que no passado. Hoje procura-se não somente pilotos talentosos, mas atletas que são capazes de reconhecer dados no computador e a capacidade de entender as máquinas, assim, o piloto trabalha juntamente com sua equipe de mecânicos e torna o carro cada vez melhor para alcançar vitórias. O mercado de pilotos tem ficado cada vez mais competitivo por conta da tecnologia cada vez mais avançada, e não basta ser apenas um talento, mas tem que ter inteligência e conhecimento também.
 
Pilotos pagantes no grid  

Está aí um assunto que gera muita discussão, e há quem acha que não tem nada de mais ter pilotos pagantes no grid, há também aqueles que dizem que esses pilotos, mesmo sem talento, estão correndo e “roubando” o lugar de quem realmente merece estar lá. Errado ou não, a Fórmula 1 tem atraído cada vez mais pilotos pagantes para o grid.
É certo que a categoria movimenta muito dinheiro, e se uma equipe quer ter um bom carro e bons mecânicos, ela precisa pagar muito para se destacar. Conseguir investidores é uma forma de arrecadar esse dinheiro, mas ter um piloto com poderio financeiro em sua equipe também contribui para o seu desenvolvimento. Por isso, pilotos pagantes tem ganhado cada vez mais relevância e aumentado número deles na Fórmula 1.
 
 
 
 
O caminho até a Fórmula 1 é longo e cheio de sacrifícios, e apesar de tudo, o Brasil ainda tem muito o que mostrar para o mundo do automobilismo. A Fórmula 1 continua nos dando alegria e o número de apaixonados pelo esporte é crescente, prova disso são os diversos grupos de WhatsApp e Facebook só para falar sobre Fórmula 1, além da criação cada vez maior de perfis no Twitter em homenagem a algum piloto ou equipe. Quando algo acontece dentro do mundo F1, nos trending topics Brasil (assuntos mais falados do momento no Twitter) é só o que se fala.
A falta de investimento é um problema sério para os pilotos, e sem ele não se pode realizar competições e nem se fazer muita coisa. Infelizmente no Brasil não se vê muitos querendo injetar seu dinheiro no automobilismo, principalmente porque aqui tem-se a cultura de valorizar somente aquilo que está ganhando, e não se olha muito para a trajetória e o desenvolvimento, somente para os resultados. Mas aos trancos e barrancos, temos jovens como Felipe Drugovich, Caio Collet, Sérgio Sette Câmara, Igor Fraga, Enzo Fittipaldi, Gianluca Petecof, entre outros, que tem se destacado e tentando trilhar o seu caminho rumo a Fórmula 1. E para aqueles que pensam que a Fórmula 1 morreu com Ayrton Senna, muito se enganam. Ela não morreu, apenas tenta se adaptar ao mundo moderno, e é isso que torna o esporte cada vez melhor e um espetáculo à parte. .
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