24/04/2020 às 18h53min - Atualizada em 25/04/2020 às 11h51min

Com agravamento da pandemia, cemitério particular se coloca à disposição de prefeituras e funerárias

Colina dos Ipês tem condições para sepultar até mil vítimas da COVID-19 em 90 dias, três vezes mais que seu movimento normal

DINO


A dramática experiência vivida pelas pessoas ao redor do mundo com a pandemia de coronavírus é ilustrada por imagens fortes transmitidas por emissoras de TV ou via internet. Mostram, por exemplo, caminhões militares lotados de caixões na Itália, um dos países mais afetados pela COVID-19; no Equador, corpos são abandonados nas ruas, porque não há número suficiente de ambulâncias e veículos para remover e sepultar os cadáveres; no Brasil, a quantidade de aberturas de covas no chão está elevada no Cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. Entretanto, a previsão do Ministério da Saúde é de que o pico da doença ainda está para acontecer.

Caso a situação seja semelhante às dificuldades vividas por outros países, poderá até haver falta de vagas para sepultamentos. Num cenário desses, municípios poderão recorrer aos cemitérios particulares. "Quero me colocar à disposição dos municípios da região e das empresas funerárias. Normalmente, sepultamos 90 corpos por mês, mas, se for preciso, temos gavetas prontas para fazer o enterro de mil pessoas em 90 dias, mais de três vezes do que fazemos atualmente", afirma João Lopes de Oliveira, sócio-fundador do Colinas do Ipê, de Suzano. "Temos insumos, gavetas construídas e podemos fazer um sepultamento a cada 15 minutos", acrescenta.

A possibilidade de se formar um quadro mais hostil vem sendo desenhada pela imprensa. Segundo a Folha de S. Paulo, a expectativa de aumento significativo no número de vítimas da COVID-19, ainda neste mês de abril, levou a Prefeitura de São Paulo a ampliar em 55% a frota de veículos para transporte de corpos, de 36 para 56 carros funerários. Dos 257 sepultadores que trabalham nos 22 cemitérios públicos paulistanos, 152 estão afastados por integrarem o grupo de risco (a Prefeitura promete contratar emergencialmente 220 novos coveiros). Caso a situação tome proporções ainda mais difíceis, poderá haver dificuldades até mesmo para a realização de enterros, por falta de vagas.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, funcionários do Vila Formosa relatam que o número de enterros diários saltou de 40 para 58 nas últimas semanas, o que significa elevação de cerca de 45%. Metade deles relacionada à COVID-19. Segundo a Folha de S. Paulo, os cemitérios públicos da capital paulista recebem de 30 a 40 corpos por dia de pessoas que morreram com suspeita de contaminação pelo novo coronavírus, mas sem comprovação do teste laboratorial. Além disso, os enterros são rápidos, com cerca de 10 minutos.

Oliveira ainda ressalta a possibilidade de realizar um velório de duas horas no Colina dos Ipês. "Damos um tratamento humanizado para os familiares, que em outras localidades não estão tendo a oportunidade do último adeus." Fundado em 2002, o Colina dos Ipês ocupa uma área de 90 mil metros quadrados, onde possui capacidade para 22.000 jazigos. Funciona 24 horas e possui 90 funcionários. O cemitério é parte do grupo que também comercializa planos funerários e possui uma floricultura.

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