10/04/2020 às 13h12min - Atualizada em 10/04/2020 às 13h12min

Aditivo de arrefecimento: mocinho ou vilão?

Descubra os riscos e suas vantagens

Andressa Corral - /////StiloHouse News
Aditivo de arrefecimento: mocinho ou vilão?

Antes de comprar meu Fiat Stilo fiz muita pesquisa sobre o carro, estava apaixonada e quando carro definitivamente chegou, fiquei maravilhada!  É fato sabido que fui um pouco impulsiva por não ter levado um mecânico junto para avaliar. O carro estava muito íntegro, muito lindo, funcionando perfeitamente liso (aparentemente) e com um aditivo rosa que demonstrava dono cuidadoso em suas manutenções e que pode enganar muita gente. Eu era uma delas.
Comecei logo a perceber que o consumo dele era um pouco elevado em relação aos outros Stilos em conversas com proprietários do mesmo, e então decidi fazer uma revisão geral para começar minha história com ele com a consciência tranquila. Imagine qual foi minha surpresa quando a oficina me ligou avisando que descobriram um problema um pouco grave: ou a junta estava queimada, ou o cabeçote estava trincado, pois ao invés de acontecer a tão comum mistura de óleo com água, estava entrando água no quarto cilindro e vazando pela vela. Além disso, a bomba d’água estava vazando e a válvula termostática travada aberta (o que também estava ajudando o consumo ficar ruim), putz começamos bem!

O sistema de arrefecimento de um carro nunca pode ser negligenciado. É ele que mantém o motor na sua temperatura de trabalho ideal, impedindo um aquecimento além do normal e também uma temperatura abaixo da recomendada (que é o que ocorre quando se retira a válvula termostática, o que ocasiona desgaste prematuro das peças do motor). Se algum componente tiver algum defeito, os danos podem ser grandes e bem caros na hora de efetuar reparos.

Todo motor tem peças metálicas e como todos sabemos, muitos metais em contato com água pura sofrem oxidação (enferrujam). O aditivo serve justamente para evitar esse processo de oxidação, tendo em sua maioria, componentes que também retardam a fervura (a água ferve muito mais rápido quando pura) e também o congelamento (no caso de aditivos orgânicos). Um carro que andou muito tempo apenas com água não desmineralizada tem em seu sistema de arrefecimento, algumas peças do motor muito prejudicadas, uma hora ou outra isso pode causar muitas dores de cabeça, o que não ocorreria se fosse usado um aditivo de boa qualidade e não proporções indicadas.

A ferrugem que se acumula em várias partes do sistema de arrefecimento nada mais é do que parte do bloco do seu motor se degradando aos poucos.  Pelo excesso de partículas em suspensão, o radiador pode entupir ou ter seus dutos com déficit de fluxo e não refrigerar o líquido como deveria, causando um superaquecimento. A válvula termostática pode travar aberta (fazendo com que a temperatura fique abaixo do normal) ou fechada (também aquecendo demais o motor), nos dois casos seu motor sofre consequências. A bomba d’água oxidada e corroída pode perder parte de sua aletas e comprometer seu desempenho, podendo trabalhar de forma ineficiente, e sem bombear a água, ocorrerá aquecimento certamente. Os selos do motor também são outros componentes que sofrem muito com a corrosão. Com muitas possibilidades de problemas citados acima, a probabilidade de um superaquecimento é grande, sob-risco da tão temida queima da junta do cabeçote, empenamento do cabeçote e até trincas (que foi o que ocorreu no meu carro). Inclusive, a própria água pode corroer a junta e causar a sua queima sem um superaquecimento. Um fato sabido é que quando ocorre à queima da junta, nem sempre se mistura água com óleo, pode haver perda de compressão de um cilindro para outro, misturar óleo só no reservatório de expansão, entrar água dentro de um cilindro. Tudo depende do local onde a junta se rompe.

Existe um mito de que o aditivo fura mangueiras, causa vazamentos, que ele destrói o carro e acaba com tudo (muitos falam como se assim fosse, como se o aditivo fosse um líquido destruidor de todas as peças que você pode imaginar). Por isso muitos defendem o uso de água apenas. Na verdade, o que ocorre é que qualquer veículo com seu motor com o sistema de arrefecimento todo enferrujado, muito dessa oxidação se acumula em pequenos furos de mangueiras, radiadores, ou nos selos, assim como na junta. A ferrugem age também com curativos e esconde os problemas silenciosamente. Quando se coloca aditivo, o mesmo começa a faxinar o sistema revelando os problemas ocultos que já existiam. O aditivo não é o culpado, a falta dele é que ocasiona os problemas.

Para carros que andaram muito tempo com água puta não desmineralizada, não recomendo de cara a fazer uma limpeza profunda, principalmente usando produtos para limpar radiadores. Muitos problemas podem surgir de uma vez só. Deve-se trocar a água por água destilada (mesmo com o aditivo é bom usar a destilada que não contém sais minerais nocivos às ligas metálicas) e colocar um aditivo em uma concentração menor.  Se for um aditivo pronto, pode-se dissolver ele com mais água destilada/desmineralizada. Com o tempo, o ideal e ir fazendo uma revisão (nem que seja aos poucos) do arrefecimento, ir trocando algumas peças com bomba d’água e válvula termostática são as principais, mangueira craqueladas,  para então quando tudo estiver novo, poder fazer uma boa limpeza e usar o aditivo correto na proporção correta.
É importante também usar aditivo de marcas conhecidas. O original do Stilo na época de sua produção era o Paraflu Up. Porém já faz um tempo que a Fiat perdeu direito de usar o nome Paraflu, teve que mudar o nome, que agora é Petronas Collant Up. O Paraflu que hoje se vende nas autopeças não é essencialmente o recomendado para o carro como muitos pensam.

Por Andressa Corral
Stileira e adm do grupo StiloHouse
 
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »