17/06/2022 às 17h02min - Atualizada em 17/06/2022 às 16h38min

Alinhamento Astral

carlos alberto goldani - stilohouse.com.br
O “stellium” em astrologia, ou alinhamento planetário, acontece quando três ou mais astros se alinham em direção ao sol, ou se aproximam a uma distância de até 30°do primeiro ao último (significa que estão incluídos todos no mesmo signo). Não é um acontecimento frequente, levando em conta a distribuição tridimensional do nosso sistema solar.
 
Há os que acreditam que um evento destes, quando inclui o nosso planeta, pode alterar o equilíbrio emocional das pessoas ou prejudicar o clima pela ação sobre as marés devido aos efeitos das leis da atração universal (leis de Newton).
 
A motovelocidade presenciou uma ocorrência semelhante no primeiro fim de semana de junho, o calendario programou a coincidência de três competições importantes, o Isle of Man TT, as 24 Horas de Spa e a 9ª etapa da temporada de MotoGP do 74º campeonato de Road Racing da  F.I.em Barcelona., Três eventos investidos de importância histórica porque suas primeiras edições remontam ao início do século passado.
 


Vênus, Lua, Terra, Marte & Jupiter alinhados em junho/2022
 
O primeiro Troféu Turismo da Ilha de Man aconteceu em 1907 e só foi possível porque o poder central do Reino Unido reconhecia, e ainda reconhece, a autonomia com governo e leis próprias para todas as suas dependências, como é o caso da Ilha de Man localizada no mar da Irlanda.
 
Provas de velocidade eram proibidas na Inglaterra. Historicamente esta não foi a primeira prova de motociclismo no mundo. Esta particularidade pertence à França, que realizou em setembro de 1896 uma prova com 8 concorrentes em um percurso de 152 quilômetros entre Paris e Nantes. M. Chevallier venceu a prova aos comandos de um triciclo Michelin-Dion tendo demorado 4 horas, 10 minutos e 37 segundos para cumprir a distância.
 


 IOMTT – Traçado do Monte Snaefell
 
O traçado da Ilha de Man é disputado em um circuito chamado Snaefell TT Mountain Curse, composto de rodovias e estradas rurais com a extensão total de 60,718 km (37,730 milhas) e tem a triste, porém merecida, fama de circuito da morte. Até 04/junho os registros oficiais do circuito indicavam a ocorrência de 263 óbitos em 115 anos de competições.  Na sexta-feira (10/06) uma tragédia familiar acrescentou mais duas vítimas a esta macabra contabilidade, Roger Stockton e o filho Bradley morreram durante a segunda corrida de sidecar do evento, O acidente aconteceu no mesmo trecho que já havia causado uma fatalidade a um participante na primeira prova de sidecar, realizada no sábado passado (04/06). Roger, de 56 anos, participava do TT da Ilha de Man pela 20ª vez, enquanto o filho Bradley, de 21 anos, que era passageiro do sidecar, estreava na prova.
 
A prova da Ilha de Man constou no calendário do mundial de motovelocidade, que antecedeu a MotoGP, até 1976, quando foi descartada por razões de segurança. O risco da competição é inerente às características de seu traçado, que mescla trechos em estradas montanhosas com enormes retas e sequências de curvas onde os competidores alcançam velocidades de mais de 320 km/h.
 
Inclui trechos urbanos sem nenhum tipo de proteção ou áreas de escape, cercados de muros de pedra, espectadores próximos, guias de calçada, postes de energia elétrica, tampas de bueiros e desníveis no asfalto. Além do mais é impossível garantir o socorro imediato para algum piloto acidentado em um circuito tão longo.
 
 
O circuito de Spa-Francorchamps hospedou sua primeira corrida em 1922 utilizando estradas que uniam as localidades de Spa, Stavelot e Malmedy, da província de Liège na Bélgica. O traçado original super-rápido de nove milhas de estradas pavimentadas registrou o óbito de seis pilotos de GP apenas na década de 1950.
 
Os competidores costumavam brincar (humor negro) que havia tantas cruzes assinalando memoriais e lugares de acidentes que algum dia alguém poderia juntar todas e transformar em uma cerca.
 
No final da década de 1970, um traçado mais curto e seguro foi construído a alguns quilômetros do circuito original, mantendo a lendária curva Eau Rouge. A Eau Rouge além da mais famosa é, na opinião da maioria dos pilotos, a mais traiçoeira, difícil e prazerosa curva do esporte motorizado de duas ou quatro rodas. É o trecho mais perigoso do circuito, um contorno de alta em “S”, antecedido por um longo trecho em descida. Sua principal característica é ser a única curva no qual o grande desafio é a força G vertical, não lateral.
 



Eau Rouge – A curva que personifica o Circuito de Spa-Francorchamps
 
Conta a lenda que depois de uma das cinco vitórias de Ayrton Senna em Spa-Francorchamps a cantora Celine Dion homenageou o piloto em relação a esta curva dedicando-lhe a canção “Nobody does it better”.
 
Finalmente esse layout foi considerado muito perigoso para as corridas do campeonato mundial de motocicletas. O último GP foi realizado lá em 1990 e o Campeonato Mundial de Superbike e Endurance parou com as provas nos anos seguintes.
 
Há três anos, o governo local de Walloon, uma das entidades federadas da Bélgica, que está situada no sul do país e agrega as zonas de influência francesa e germânica decidiu levar as motocicletas de volta a Spa, oferecendo 30 milhões de euros de financiamento para adequar a pista para as especificações da EWC (Campeonato mundial de Endurance).
 
Um esforço adicional será necessário para o circuito atingir seu objetivo de voltar a hospedar uma etapa da MotoGP. O planejamento foi realizado pela renomada empresa italiana Dromo, que também assina os projetos de melhorias em Mugello, Sepang, Misano, Paul Ricard e atualizações em Silverstone.
 
Ao meio-dia do último sábado, 04/06, o primeiro 24 Horas de Spa em cerca de duas décadas iniciou. Entre os pilotos estava o ex-campeão mundial de Supersport e três vezes vice-campeão mundial de Superbike Chaz Davies, que montou uma Ducati Panigale para a equipe ERC Endurance. Davies nunca havia participado de uma prova de resistência e ficou surpreso com a experiência porque o circuito é veloz e parcamente iluminado. Ele rodou até as primeiras horas da manhã de domingo, quando a Panigale parou por problemas de abastecimento. O layout do circuito, mesmo depois das modificações sugeridas pela Dromo, foi considerado com segurança insuficiente para sediar etapas do campeonato mundial da MotoGP.
 



Largada para as 24 Horas de Spa
 
Chaz Davies adorou a experiência, especialmente no complexo Eau Rouge e Raidillon. É uma curva para sexta marcha, inicialmente a opção é a quinta, porém com a inclinação o motor começa a girar muito forte e exceder o limitador, então é necessário apelar para a sexta. Segundo suas próprias palavras: “É um pedaço de asfalto dos infernos”.
 
Foi sua primeira experiência com corrida noturna e a pista estava terrivelmente mal iluminada. Muitos dos pilotos regulares da EWC não estavam felizes porque é muito longe dos seus padrões habituais. Spa tem anda uma diferença de cota (altitude) que permite a formação de bolsões de neblina que apresentam um desafio adicional aos pilotos.
 
Com a autoridade que sua carreira precedente lhe confere, Chaz Davies acha que a pista já é boa o suficiente para uma rodada da WSB. Ele esperava condições melhores de segurança, mas a maior parte não é tão ruim. Há alguns detalhes que precisam ser endereçados e a pista deve ser limpa para o Mundial de Superbike, mas está mais perto de estar pronta que outros circuitos que já são utilizados.
 
O terceiro astro alinhado na primeira semana de junho foi o GP da Catalunha, realizado em Barcelona, que só apareceu no mapa das competições devido ao circuito de Montjuic , um traçado urbano situado na montanha de Montjuic, e que já foi considerado  um dos melhores circuitos de  todos os tempos.
 
Montjuic sediou provas de motocicletas de 1951 a 1972, quando a sua segurança foi questionada e foi removido dos campeonatos mundiais, embora não tenha havido óbitos de pilotos durante esse período.

Por décadas, o circuito também sediou corridas de subida da montanha e provas de resistência de 24 horas, que ocasionaram pelo menos 7 fatalidades. Domingo Parés i Rivero, mais conhecido por Mingo Parés, foi um motociclista catalão que se destacou em competições de resistência e subidas de montanha durante as décadas de 1970 e 1980. Morreu aos 28 anos, devido a um acidente que sofreu durante a edição de 1986 das 24 Horas de Montjuic. A morte de Mingo Parés provocou o fechamento definitivo do circuito de Montjuic e começaram os trabalhos de construção do Circuito de Barcelona.
 
Em menos de três anos a nova pista ficou pronta e sediou seu primeiro Grande Prêmio em maio de 1992.
 
O circuito é particularmente significativo, Montjuic que antecedeu Barcelona sediou seu primeiro GP na década de 30 e se a MotoGP fosse um país, certamente Barcelona, na Catalunha, seria sua capital.
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Um quarto do atual grid da MotoGP nasceu e cresceu na região da Catalunha, muitas equipes de MotoGP, Moto2, Moto3, Mundial de Superbike e o Campeonato Mundial Júnior têm suas bases dentro e ao redor de Barcelona. E pilotos como Takaaki Nakagami, Ai Ogura e Somkiat Chantra, além da administração da TSR (Technical Sports Racing - Equipe de motociclismo), Honda France EWC e muitos outros adventícios chamam a cidade de lar durante a temporada de corridas.
 
 
 
Comemorações no pódio do GP de Barcelona em 2022
 
A Catalunha é o centro de um movimento separatista que almeja descolar-se politicamente da Espanha, razão pela qual, para não se submeter a explorações políticas, nos desfiles da vitória Marc Márquez utiliza uma bandeira com seu número, #93, e evita provocar cizânia optando por um pavilhão da Espanha ou da Catalunha.
 
A MotoGP não deve esquecer que, embora seja a forma mais segura de corridas de motocicletas, tirou a vida de quatro pilotos na última década, a pior taxa de mortes desde o final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Um desses pilotos – Luis Salom – morreu durante os treinos para a corrida de Moto2 do GP da Catalunha de 2016.

 
Autor:              Carlos Alberto Goldani
Criação:          12/06/2022 21:50:00
 
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