13/06/2022 às 17h13min - Atualizada em 13/06/2022 às 16h44min

By the Book

carlos alberto goldani - stilohouse.com.br
Foi no mesmo circuito, em Barcelona, no GP da Catalunha em 2019, que Jorge Lorenzo caiu e levou consigo os principais postulantes ao mundial daquele ano, Andrea Dovizioso, Valentino Rossi e Maverick Vinales. No mesmo ano, no GP da Grã Bretanha em Silverstone, uma manobra infeliz de Fábio Quartararo acabou com a corrida de Dovizioso.

Em ambos os casos a Ducati de Dovizioso era a única real concorrente de Marc Márquez, que realizava a temporada dos seus sonhos. Em nenhum dos casos houve uma reação exacerbada cobrando uma penalização do piloto causador dos incidentes.

Este ano, no GP da Catalunha, após uma excelente largada, Nakagami perdeu o controle de sua RC213V na entrada da curva 1, caiu e levou consigo a Ducati de Peco Bagnaia e a Suzuki de Alex Rins. Minutos depois os comissários consideraram, para espanto da maioria, o acontecimento como um incidente de corrida, sem penalizações para os envolvidos.



Strike protagonizado por Takaaki Nakagami

Alguns repórteres que escrevem sobre a MotoGP acusaram a direção de prova de incoerente e disseram que a falta de penalização equivaleria a um passe livre para o piloto nipônico, tipo o duplo zero dos agentes de sua majestade nos romances de Ian Fleming. O acontecimento também criou alguma desconfiança sobre a direção de prova da MotoGP. Também houveram reações de outros pilotos e de algumas equipes. Peco Bagnaia, um dos envolvidos, entende que os pilotos devem ter uma voz mais atuante e Alex Rins, o mais prejudicado no incidente, acredita que faltou rigor ao analisar o caso.

Japonês fez um strike duplo ao tentar ganhar cerca de dez posições em uma só tacada, mas não recebeu sequer uma advertência, já que os comissários consideraram um lance normal de corrida.

Os comissários da FIM MotoGP explicaram em detalhes os principais fatores que basearam a sua decisão de não penalizar Nakagami por ter sido o pivô do incidente na Curva 1 de domingo na Catalunha.

Largando em 10º no grid, com uma pilotagem agressiva, Nakagami subiu para o 5º lugar quando em processo de frenagem para contornar a Curva 1 perdeu a frente de sua LCR Honda. Como resultado da queda o seu capacete chocou-se contra a roda traseira de Peco Bagnaia desestabilizando o piloto da Ducati, a Honda desgovernada do japonês colidiu com a Suzuki de Rins provocando sua queda, que resultou em uma fratura no pulso esquerdo do piloto. Não por acaso, os dois pilotos estavam entre os maiores críticos da direção da prova pela decisão de não punir o japonês.

Os comissários da FIM explicaram que a alegação de que Nakagami tinha sido imprudente nos freios e não teria feito a curva, foi contrariada pelas evidências das gravações de vídeo.

Os comissários da FIM MotoGP revisaram o incidente da Curva 1 entre os pilotos Takaaki Nakagami, Alex Rins e Francesco Bagnaia de todos os ângulos. Sobre as evidências fornecidas por diversos ângulos disponíveis, incluindo imagens de helicóptero, foi decidido que o evento foi julgado como um incidente de corrida, sem mais nenhuma ação a ser tomada.

Nakagami ganhou várias posições na aceleração para avançar de sua posição inicial do grid. Ele foi julgado por ter freado em um momento semelhante aos pilotos ao seu redor, não ganhando nenhuma distância significativa nos freios para indicar o contrário. O piloto #30 então perdeu a frente e bateu, com motocicleta e piloto fazendo contato com Rins e Bagnaia.

"O limite estabelecido para tais incidentes incorrer em uma penalidade é que um piloto seja claramente visto com velocidade excessiva, sem nenhuma expectativa razoável de fazer a curva."

A decisão dos comissários está alinhada com a orientação da MotoGP em não permitir que um evento possa ter seu resultado final contestado. Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna, que organiza a MotoGP, não quer a reedição da polêmica no final da Fórmula 1 em 2021. O dirigente criticou a forma que as voltas finais do GP de Abu Dhabi foram conduzidas



Carmelo Ezpeleta falou sobre a decisão da F1 em 2021


A polêmica e dramática final da temporada 2021 da Fórmula 1, em Abu Dhabi, segue repercutindo no mundo do esporte a motor. Meio ano depois da coroação de Max Verstappen como novo campeão mundial, o assunto ainda é comentado por várias pessoas. O diretor-executivo da Dorna e organizador da MotoGP, opinou sobre erros e acertos da categoria rival.

O GP de Abu Dhabi de 2021 foi marcado por uma série de decisões contraditórias do diretor Michael Masi, que acabaram custando o seu emprego. Todas as atitudes, especialmente nas voltas finais da prova, são ainda controversas. O protesto mais significativo foi o de Lewis Hamilton, que se calou após a derrota sofrida na pista árabe. O inglês liderava a corrida e tinha nas mãos o oitavo título mundial, quando os procedimentos feitos sob o safety-car final acabaram por lhe tirar a chance. O heptacampeão bradou contra as ações e decidiu se afastar das redes sociais.



Abu Dabi 2021 – Campeonato contestado

“Não gostaria que a MotoGP tivesse um final como o da Fórmula 1. Queria ver dois pilotos brigando pelo título na última corrida, mas não na maneira como tudo se desenrolou. Foi um campeonato fantástica ao longo do ano e, no fim, teve controvérsias que não foram boas. Eu gostaria de ter um certame que, se possível, vá até o fim, mas não gosto quando existem dúvidas após a decisão, que o vice fique sumido”.
A MotoGP, porém, já teve uma polêmica decisão no passado. Em 2015, Valentino Rossi chutou a moto de Marc Márquez durante o GP da Malásia e forçou a queda do rival, que abandonou. Na época, o italiano liderava o campeonato e brigava pelo título contra Jorge Lorenzo. Por conta do incidente, foi punido, largou no fim do grid na etapa final, em Valência, e acabou superado na pontuação.

 
 
 
 
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