13/05/2022 às 09h31min - Atualizada em 13/05/2022 às 09h20min

Sexit (Suzuki Exit)

Carlos Alberto Goldani - stilohouse.com.br
Finalmente a Suzuki se pronunciou sobre as especulações que estaria prestes a anunciar a sua saída da MotoGP, confirmando que pretende se manter na disputa até o fim da temporada para honrar compromissos com patrocinadores (alguns inclusive já adiantaram recursos).




Já se passaram 10 dias desde que a Rádio Paddock (caldo de cultura para notícias não confirmadas) divulgou esta decisão, baseada na comunicação informal da fábrica para todos os membros da equipe durante o período de testes no último dia 02/05 em Jerez. Nestes 10 dias a fábrica não fez nenhum comentário, aumentando a desinformação. Existe uma enorme curiosidade sobre o futuro dos pilotos Joan Mir e Alex Rins.

Nos dias que antecedem o evento da MotoGP em Le Mans, a empresa japonesa emitiu um comunicado oficial, onde garantiu suas intenções de abandonar a competição. A nota da Suzuki é um primor de ambiguidades, porque de um lado relaciona os motivos que a levaram a tomar tal decisão, ao mesmo tempo que declara permanecer em discussões com o controlador e detentor dos direitos Dorna.

A nota também não menciona por que está deixando a série com a equipe que garantiu o Campeonato Mundial apenas a dois anos atrás, e justamente em uma época onde seus protótipos são considerados os melhores de todo o grid. A Suzuki alega que a atual conjuntura econômica mundial e uma mudança na política para tecnologias mais voltadas à conservação do meio ambiente (mais verdes) foram os fatores determinantes de sua retirada

A nota da Suzuki tem o seguinte teor:

"A Suzuki Motor Corporation está em discussões com a Dorna sobre a possibilidade de encerrar sua participação na MotoGP no final de 2022.

Infelizmente, a atual situação econômica e a necessidade de concentrar os esforços nas grandes mudanças que o mundo automotivo está enfrentando nestes anos, estão forçando a Suzuki a transferir custos e recursos humanos para desenvolver novas tecnologias.

Gostaríamos de expressar nossa profunda gratidão à nossa Equipe Suzuki Ecstar e a todos que apoiaram as atividades de competições de motocicletas da Suzuki por muitos anos, extensiva a todos os fãs da Suzuki que nos deram seu apoio entusiasmado."

Embora sua declaração, sem dúvida distribuída para afastar a atenção da mídia em Le Mans neste fim de semana, não possa ser entendida como uma decisão irrevogável, continua a ser um sinal claro a que empresa não considera a possibilidade de reverter sua decisão.

De fato, uma análise mais crítica do texto deixa entre as linhas a ideia que a Dorna reluta em facilitar a saída da Suzuki, o que está atrasando o epílogo desta história. A empresa nipônica recentemente assinou uma prorrogação de seu acordo com a Dorna para mantê-la no grid até o final de 2026.

A Dorna considera seu direito uma penalidade financeira significativa por quebra de contrato, potencialmente também uma proibição de retornar à série no futuro.

Considerando que a empresa espanhola também controla o mundial de SuperBike, a Suzuki não conseguiria a chancela para participar em nenhum dos principais campeonatos mundiais, diferente do que aconteceu quando a Kawasaki renunciou à competição. A japonesa Kawasaki abandonou a MotoGP no final da temporada de 2008 para reduzir custos e enfrentar as consequências da crise econômica mundial. A fábrica concentrou seus esforços na Superbike onde sua equipe oficial, Kawasaki Racing Team, conquistou os títulos de pilotos e fabricantes por cinco anos consecutivos, de 2015 a 2019. Os direitos comerciais da Superbike na época não eram controlados pela Dorna, que tinha um poder de negociação sensivelmente menor que o atual.

A empresa também pode pressionar a FIM pelo banimento da Suzuki em todas as competições internacionais de motocicletas, privando os japoneses da possibilidade de utilizar estes eventos como ferramentas de marketing.

Como alegou um repórter britânico, a Dorna gastou muito mais que previa para manter a MotoGP operacional durante a pandemia da Covid 19, inclusive com a locação de circuitos para a realização de provas sem a presença de público, e não considera justo que os fabricantes aleguem dificuldades econômicas para abandonar o barco. O desentendimento entre a Dorna e a Suzuki tem tudo para ser uma briga de cachorros grandes.



Dorna vs Suzuki – Briga de cachorros grandes

Enquanto isso algumas peças do tabuleiro começam a ser realinhadas. Especulações na Itália relatam que o campeão mundial de MotoGP de 2020 pela Suzuki, Joan Mir, já teria um acordo assinado com a Honda Racing Corporation para se juntar a Marc Marquez na Repsol Honda em 2023.
 
 
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