10/05/2022 às 14h18min - Atualizada em 10/05/2022 às 13h43min

Peco Bagnaia Venceu em Jerez com Uma Moto Irregular

Carlos Alberto Goldani - stilohouse.com.br
Equipes da MotoGP estão correndo com pressões abaixo dos limites nos pneus dianteiros para obter vantagens sobre a concorrência.



Peco Bagnaia lidera Fabio Quartararo, Grande Prêmio da Espanha de 2022

Em uma matéria publicada na Revista Motor Sport, Mat Oxley revela como as equipes da MotoGP têm utilizado pressões ilegais nos pneus nas competições. A pressão do pneu dianteiro é de suma importância e influencia as velocidades entrada, durante e saída de curvas.

O pneu dianteiro Michelin tem se mostrado especialmente temperamental desde que a marca francesa se tornou a fornecedora oficial da MotoGP em 2016. Em todo o seu tempo como fornecedora de pneus da MotoGP, a Michelin enfrentou críticas dos pilotos sobre o pneu dianteiro de uma ou de outra forma. Em alguns casos, o pneu tem sido criticado por ser muito fraco em comparação com o traseiro e não permite freadas agressivas, em outros casos tem sido criticado por ser inconsistente, com muitos pilotos reclamando ao longo dos anos que receberam pneus defeituosos da Michelin.

No Paddock Pass Podcast após o Grande Prêmio de Jerez,que foi vencido por Peco Bagnaia pela Ducati, o comentarista David Emmett disse que Brembo (Sistemas de freios) constatou um acréscimo de 10% no desempenho de frenagem nos últimos anos. Emmett disse que o normal seria de 1% ao ano.

Em outras palavras, muito mais força está sendo aplicada no pneu dianteiro. O efeito é amplificado pelos dispositivos de regulação da altura da suspensão traseira recentemente introduzidos, que não só aumentam a aceleração em retas como também aumentam a carga na dianteira durante a frenagem. Quando a suspensão traseira volta ao normal no final de uma longa reta, a transferência de peso para a frente é mais significativa. Assim, os pilotos estão freando mais tarde e mais forte, e a transferência de peso para o pneu dianteiro também é mais severa do que no passado.

O pneu dianteiro Michelin deveria ter sido atualizado nas últimas temporadas, mas tais atualizações foram adiadas devido à situação gerada pela pandemia da Covid e por problemas relacionados com a cadeia de suprimentos, que está sob crescente estresse.

Esse aumento do estresse está tornando cada vez mais difícil obter a temperatura certa (maior aderência) no pneu dianteiro utilizando a faixa de pressão recomendada. Durante todo o fim de semana em Jerez, a conversa foi sobre a dificuldade de ultrapassar na pista espanhola, já que a gestão da temperatura dos pneus dianteiros tornou-se mais difícil quando atrás de outro piloto. Na verdade, houve poucas ultrapassagens no circuito da Andaluzia, Fabio Quartararo passou boa parte da corrida a uma distância segura de Bagnaia para seu pneu dianteiro não ser afetado pelo ar quente vindo da Ducati.



Fabio Quartararo, Grande Prêmio da Espanha de 2022

Quando um piloto está muito próximo de outro, a pressão do dianteiro aumenta. Isso teve efeitos dramáticos em particular para Fabio Quartararo no passado. Em Sepang, em 2019, Aragon, em 2020, e até mesmo Aragon no ano passado, a corrida de Quartararo foi condicionada por estar atrás de outros pilotos, o que significava que ele não conseguia controlar a temperatura e a pressão do pneu dianteiro, prejudicando a sua capacidade de virar a moto.

Faz sentido que as equipes tentem correr com as pressões dos pneus dianteiros o mais baixo possível, não apenas para aumentar o patch de contato e, portanto aderência, mas também para tentar minimizar o efeito do aumento da pressão dos pneus.

Quanto uma equipe deve diminuir a pressão? A resposta é a mesma de qualquer outra questão de engenharia competitiva, tanto quanto não afete a segurança.

No texto de Oxley na Motor Sport Magazine, ele revela que as equipes de MotoGP têm com a MSMA e a Michelin um acordo informal para não divulgar violações dos regulamentos relacionadas com a pressão dos pneus. Esses regulamentos existem para tentar garantir que os pneus da MotoGP não sejam calibrados perigosamente baixos pelas equipes, que poderia comprometer sua estrutura e segurança.

O texto também informa qur Peco Bagnaia, o vencedor da corrida em Jerez foi um dos pilotos que correu com uma pressão abaixo do que o fabricante informa como segura, ilegal portanto. O regulamento indica que um piloto não deve estar abaixo do limite de pressão por mais de 12 voltas de uma prova, Bagnaia permaneceu abaixo do limite mínimo durante todas as 25 voltas. Seu companheiro de Ducati, Jorge Martin, ficou abaixo dele por 24 das 25 voltas e, considerando que ele bateu enquanto estava no grupo na primeira volta, pode sugerir que a única volta que ele estava acima do limite mínimo de pressão dos pneus foi a que ele bateu.



 Alex Rins, Grande Prêmio da Espanha de 2022

Alex Rins só ficou acima da pressão mínima dos pneus por 11 voltas. O piloto da Suzuki perdeu a dianteira na curva 11 na volta nove, após a qual ele rodou quase sempre sozinho. Depois de sua excursão ao cascalho, o ritmo de Rins foi melhor por algumas voltas, antes do desgaste dos pneus, e ele provavelmente começou a perceber que não ia fazer pontos. Talvez tenha sido apenas as primeiras 11 voltas em que a pressão dos pneus de Rins estava acima do limite, e uma vez que ele saiu do ar quente, começou a esfriar, e a pressão começou a cair.

Não há possibilidade de voltar atrás e mudar os resultados de corridas antigas onde o acordo informal vigorou, porque resultaria em não recompensar vitórias, pódios e campeonatos anos após o desempenho na pista. Não existe a possibilidade de penalizar Bagnaia por sua vitória em Jerez.

É evidente que a situação precisa ser administrada antes que um acidente aconteça. No WorldSBK os pilotos são escolhidos aleatoriamente para verificação de pressão de pneus no grid antes de cada corrida. Qualquer um abaixo do limite mínimo deve ir para o pitlane, legalizar a pressão, e começar por trás.

Esta é uma história que provavelmente continuará até que os regulamentos sejam devidamente aplicados pela FIM. Até que eles sejam, torna-se difícil considerar o que assistimos na MotoGP particularmente a sério.



Marc Márquez "salva" uma queda em disputa com Aleix Espargaro e Jack Miller

A prova em Jerez também comprovou a magia de Marc Márquez para recuperar o equipamento em uma condição de queda eminente. Quando ele estava disputando a terceira posição com Aleix Espargaro e Jack Miller, perdeu a frente em uma curva e conseguiu manter o controle utilizando o cotovelo esquerdo. É a falta de confiança no braço direito que ainda falta para o piloto voltar à antiga forma.
 

 
 
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