03/05/2022 às 20h02min - Atualizada em 03/05/2022 às 19h08min

​MotoGP – Provável Entry-list para 2023

Carlos Alberto Goldani - stilohouse.com.br
Depois de seis etapas da temporada de 2022 crescem as especulações da provável Entry-list para 2023. Com cinco vencedores diferentes nas provas já realizadas e nenhum piloto se distanciando na classificação geral, por enquanto não há um indício claro sobre quem é o favorito para o título de campeão depois da prova final em Valência.

As negociações de contratos para o Campeonato Mundial de MotoGP de 2023 são alvo dos comentários da mídia que tentam interpretar o clima nos bastidores. Com o tradicional ciclo de contratos de dois anos, a maioria dos compromissos entre pilotos e equipes atuais vence no final de 2022, portando os resultados das rodadas iniciais são importantes para definir o grid de largada para o próximo ano.

Ter apenas quatro pilotos - Marc Márquez (Honda), Brad Binder (KTM), Franco Morbidelli (Yamaha), Pecco Bagnaia (Ducati) – com contratos já vigentes para 2023, a esta altura do campeonato, não pode ser considerado um fato comum.
 


Pilotos com contratos já firmados


Significa que há diversas vagas que estarão livres nas equipes, sem aposentadorias previstas e com aspirantes das categorias de acesso apresentando-se como candidatos para ocupar assentos na MotoGP. A análise abaixo é apenas uma especulação.

A situação de Fabio Quartararo, Yamaha, mudou radicalmente nos últimos 15 dias. O piloto que tinha escassas chances na temporada, em duas semanas venceu em Portugal com autoridade e foi o segundo colocado em Jerez assumindo a liderança da competição. A duas semanas ele estava frustrado com o déficit de potência da Yamaha e seu empresário procurava uma outra equipe para o atual campeão. Então na etapa de Portimão surpreendeu a todos com a vitória mais expressiva dos últimos tempos. O piloto francês sabe que a sua sorte em uma corrida depende de sua posição de largada para que possa começar na frente e não ser travado por um pelotão de motos com motores V4, que desenvolvem maior velocidade final, mas não podem rivalizar com sua fluidez e equilíbrio.

 
 
Fábio Quartararo
 
Antes de Portimão a avaliação de Quartararo sobre a Yamaha e suas limitações eram lidas como uma indicação de que ele queria sair, enquanto seu empresário entrava em negociações com outras equipes sobre uma possível mudança.

Na realidade, Quartararo quer ficar no fabricante que o ajudou a chegar ao título da MotoGP de 2021, mas precisa de uma garantia de que a estratégia de desenvolvimento da M1 será boa o suficiente para mantê-lo na disputa. Sua corrida em Portimão e seu desempenho em Jerez foram sinalizações que há grandes possibilidades de permanecer na equipe Yamaha. Quartararo sonha em ter um salário igual ao de Marc Márquez na Honda, porém as possibilidades financeiras das equipes não indicam que possa ter sucesso.

Se ele decidir por outro fabricante, a Yamaha já está trabalhando em Toprak Razgatlioglu, que obteve o campeonato da SuperBike em 2021, embora não tenha nenhuma experiência com a MotoGP e o fato de substituir o campeão mundial pode criar muita pressão para ambas as partes. O empresário de Razgatlioglu, Kenan Sofuoglu, deixou claro que não quer que seu piloto siga uma a rota via satélite para a MotoGP, com a RNF Racing por exemplo, e há ainda a possibilidade de Franco Morbidelli, com o contrato ainda em vigor, criar problemas para a equipe com o piloto turco.

Na RNF Yamaha, a permanência de Andrea Dovizioso está ameaçada pela falta de entrega de resultados. O italiano não consegue encontrar seu ritmo na equipe satélite e as 14 vitórias em sua biografia geraram uma alta expectativa que não está sendo correspondida. Um comentário frequente na Rádio Peão é que a Yamaha acompanha com carinho as performances de Raul Fernandez, que não faz segredo de sua vontade de abandonar a KTM. O outro piloto da RNF, Darryn Binder, mostrou algum serviço no Catar e Indonésia.  O sul-africano inicialmente deixou uma impressão positiva que talvez justificasse o salto da Moto3 para a MotoGP e ainda tem algum crédito.

 

Equipe oficial da Ducati
 
A Ducati tem atualmente oito posições no grid e tem problemas para definir seus pilotos para a próxima temporada. Pecco Bagnaia tem contrato válido para 2023, reencontrou na última prova em Jerez parte da sua consistência como piloto redimindo-se da sequência de erros do início da temporada.

Jorge Martin é sério candidato a substituir Jack Miller, que ainda não reencontrou seu antigo brilho. Enea Bastianini conseguiu duas excelentes vitórias (Catar e Cota) com a GP21, o que o credencia para voos mais altos. Especulações de Paddock sugerem que a Ducati manterá a hierarquia de suas posições atuais, promovendo Martin para a equipe de fábrica e trazendo Bastianini para a Pramac Racing, que pode ser considerado uma promoção como um reconhecimento por seu trabalho. Entretanto, após um terceiro acidente de Bastianini pode ter acendido um sinal de alerta na equipe, que deve optar por aguardar mais algumas rodadas antes de tomar sua decisão final, correndo o risco do piloto ser atraído por uma equipe rival, embora o italiano tenha reiterado que está comprometido com a Ducati, independentemente das cores da carenagem.
 

Jack Miller comemorando sua última vitória em Le Mans 2021
 
Resta a grande dúvida que ronda a esquadra vermelha, o que fazer com Jack Miller, que continua apoiado por altos executivos da Ducati. Um retorno à Pramac pode ser considerado, que seria uma má notícia par a   Johann Zarco, que apesar de entregar resultados mais consistentes do que seus colegas, continua ofuscado por nunca ter vencido na MotoGP.

Após passar por diversas máquinas diferentes, Yamaha com Tech3, KTM agora Ducati, Zarco deverá ser cauteloso em trocar de equipamento porque encontrou o seu ritmo com a Ducati, o que complica as aspirações da Gresini que espera contar com maior apoio da fábrica.

Fabio di Giannantonio, embora ainda não tenha conseguido pontos nesta temporada, ainda tem moral para justificar um segundo ano na Gresini, enquanto Marco Bezzecchi também teve um desempenho forte o suficiente na máquina VR46 para provavelmente ganhar um contrato de pelo menos mais um ano. Luca Marini está apoiado em sua relação íntima com o proprietário da VR46, o que pode criar alguns embaraços para Valentino Rossi se Celestino Vietti conquistar o título da Moto2.

A Repsol/Honda tem vivido tempos difíceis nos últimos dois anos, porém Marc Márquez ainda está apenas no meio do seu quilométrico contrato, que finda em 2024. Os constantes problemas físicos do espanhol, capitalizados por sua tendência a desafiar os limites das pistas que, quando excedidos, resultam em quedas, forçaram a equipe a procurar um substituto com perfil semelhante para o caso de não poder contar com ele. O problema é que a equipe (e a máquina) foram construídas à imagem e semelhança a de Márquez, que torna muito complicada a sua substituição, mesmo eventual. Pol Espargaro não reedita seus feitos com a KTM e nunca entregou a consistência necessária para fazer sua manutenção na equipe ser pacífica.

A Honda procura um substituto, embora saiba que andar na sombra de Marc Márquez é uma tarefa inglória. A equipe da Asa Dourada fez acenos para Fabio Quartararo e Joan Mir. As notícias da eventual retirada da Suzuki do mundial fizeram crescer o interesse pelo campeão de 2020, enquanto uma possível contratação de Quartararo esbarra em custos proibitivos.

 

Takaaki Nakagami – Piloto da LCR

 
Na LCR Honda, tanto Alex Marquez quanto Takaaki Nakagami não conseguem resultados nesta temporada que garantam a sua continuidade. A satélite da Honda registra três vitórias na MotoGP, todas com o britânico Cal Crutchlow. Nakagami, que tem o forte apoio da Idemitsu, vê como ameaça seu conterrâneo Ai Ogura, que tem brilhado na Moto2. Existem também rumores citando Somkiat Chantra, que oferece muito apelo comercial na Asia por suas origens tailandesas.

A situação de Alex Márquez é mais complexa, ainda não conseguiu repetir os brilhos fugazes de algumas provas em 2021, mas tem a preferência da equipe respaldada por seu título na Moto2 e dividir sobrenome com a maior estrela da Honda na última década.

A equipe de Lucio Cecchinello também atenta às atuações de pilotos como Aron Canet e Tony Arbolino na Moto2 e pode haver algum interesse comercial em Jake Dixon ou Joe Roberts em virtude de suas nacionalidades britânica e americana.

Não são esperadas novidades na equipe oficial da KTM, Brad Binder é um dos 4 que já tem contrato assinado para 2023.  As especulações sobre se Miguel Oliveira poderia fazer o suficiente para manter sua vaga após uma queda decepcionante no desempenho do ano passado, parecem dissipadas com a sua vitória na Indonésia e um top 5 em Portimão. Remy Gardner e Raul Fernandez tem apresentado performances que, se não ameaçam a posição de Miguel, ainda são suficientes para justificar a KTM mantendo-os na Tech 3 por mais um ano.

O problema é qual a vontade de Fernandez. O espanhol ainda está supostamente na mira da Yamaha, enquanto pessoas da Honda avaliam o benefício de investir em um talento ainda tão jovem. Supondo que Fernandez queira ficar, a pressão sobre ele ficou bem menor porque a transição de Pedro Acosta para a Moto2 não foi o sucesso imediato que muitos esperavam. Os resultados do piloto prodígio da Moto3 sepultaram a sua esperança de ser promovido para a MotoGP no final deste ano.

Foi um aprendizado longo e árduo, mas a Aprilia finalmente se alinhou aos grandes da MotoGP. No início de 2021 Aleix Espargaro insinuou que a temporada de MotoGP de 2022 estava se configurando para ser sua última, mas com seu trabalho a RS-GP finalmente está competitiva e parece improvável que o espanhol esteja procurando sair, nem Aprilia vai querer. Do outro lado da garagem, enquanto Maverick Vinales não consegue repetir os resultados de Aleix, é seu primeiro ano com a Aprilia e com certeza ele ainda não consegue pilotar com a eficiência desejada. A equipe ainda tem cicatrizes da época em que foi rejeitada por vários pilotos depois de perder Andrea Iannone suspenso por suposto dopping e provavelmente se esforce para manter a atual configuração. O único obstáculo parece ser salarial, Aleix se sentiu “desprestigiado” com a primeira proposta da fábrica.
 

Máquinas da Suzuki nesta temporada – Alex Rins & Joan Mir
 
A maior incógnita é o pragmatismo japonês. Nos treinos programados após a prova de Jerez houve um forte murmurinho que a Suzuki estaria se retirando da MotoGP. As razões seriam o alto custo e as sérias limitações que os regulamentos impõem, que prejudicam a portabilidade de tecnologia para as motos de passeio da fábrica, os mesmos motivos que precipitaram o afastamento da equipe em 2012. A fábrica não se pronunciou oficialmente e muitos lembram do velho ditado: Quem cala, consente.

Houve uma reação da Dorna, alertando a equipe japonesa que há um contrato que garante a permanência da marca até 2026 e que não pode ser rompido unilateralmente. A promotora da MotoGP tem diversas solicitações de equipes para ingressar no grid, represadas pelo máximo de 24 participantes por prova (não contando com máquinas de pilotos de teste.)

Caso decida cumprir o contrato assinado na íntegra e sem uma satélite para alavancar, é provável que a equipe mantenha seus pilotos atuais. Como campeão mundial de MotoGP de 2020, Joan Mir sempre será bem-vindo na Suzuki e, apesar dos acenos da Honda, parece contente em permanecer onde ele está para desenvolver um pacote GSX-RR que claramente tem muito potencial inexplorado.

Em contrapartida, Rins entrou no ano precisando de algo especial para convencer a Suzuki que devia ser mantido após uma má campanha de 2021. No início da temporada o espanhol entregou algumas performances brilhantes que, até a quinta etapa, o levaram a dividir liderança geral com Quartararo. Como tal, a Suzuki parece ser a equipe mais provável para confirmar sua formação na MotoGP de 2023 em breve.
 
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