28/04/2022 às 23h02min - Atualizada em 28/04/2022 às 22h41min

Unidades de Potência

carlos alberto goldani - stilohouse.com.br

O Campeonato Mundial de MotoGP é disputado com protótipos impulsionados como motores 1000 cc. Os motores são lacrados antes da primeira prova no Catar e os pilotos podem utilizar, se as equipes não estiverem beneficiadas por concessões, no máximo sete motores em toda a temporada. Para 2022 estão programados 21 GPs, o que implica em 21 fins de semana onde o mesmo motor é utilizado em testes livres, classificação e na prova. O percurso de cada prova é definido pelo Bureau Permanente da MotoGP por circuito e varia em torno de 100 milhas (160 Km).
 

Franco Morbidelli – Sepang Yamaha em 2020
 
Franco Morbidelli em 2020 herdou uma moto utilizada pela equipe oficial da Yamaha em 2019 e foi o piloto melhor classificado da fábrica no mundial. Utilizou nas últimas provas motores que excediam em muito a vida útil do projeto. Um propulsor da YZR-M1 é especificado para rodar a plena carga por volta de 800 milhas. Em função da pandemia o número de motores disponível para cada piloto em 2020 foi limitado a 5. Graças ao erro da Yamaha em relação às válvulas e ao acidente na Áustria o piloto da então Sepang Petronas disputou as 10 últimas provas (das 14 da temporada) dispondo de apenas 2 motores. Em Valência, Franco alinhou para a largada com uma unidade de potência que já havia rodado em testes e competições 1.600 milhas, o dobro do limite projetado. Ninguém sabe ao certo, mas é provável que ele tenha vencido a prova com o motor com maior milhagem percorrida desde que a categoria mudou para 4 tempos em 2002.

Os motores são extremamente importantes na MotoGP. A escolha da tecnologia V4 ou cilindros em linha determina vantagens ou desvantagens dependendo dos circuitos ou características do piso. A limitação no número de motores determina a extrema importância da manutenção dos motores durante a temporada. 
 

 Motor V4 da RC213V Honda
 
A capacidade de manter um motor de uma moto funcionando em alto nível por uma maior milhagem pode fazer uma enorme diferença em termos de classificação do Campeonato. Durante 2022, os pilotos dispõem de 7 motores, 9 no caso da Aprilia em função das concessões, para todo o campeonato.  Após cinco etapas muitos pilotos já estão utilizando o seu terceiro motor no ano. Uma análise interessante é como o número de motores está sendo utilizado a esta altura do campeonato.
Quase a totalidade dos pilotos está alternando entre o segundo e o terceiro motores desde o início da campanha. Em Portugal, Marc Márquez e Pol Espargaro optaram por escolher o motor que foi utilizado na abertura da temporada no Catar. O exemplo foi seguido por Miguel Oliveira, da equipe oficial Red Bull KTM Factory Racing. Igual atitude tiveram os pilotos Raul Fernandes e Remy Gardner, da satélite KTM Tech3.  
 

Equipe Honda decidindo sobre a configuração da moto
 
Diversos pilotos já escolheram utilizar um terceiro motor, alguns por opção e outros por necessidade. Brad Binder (Red Bull KTM Factory Racing) e Alex Marquez (LCR Honda/Castrol) foram obrigados, já que um dos seus primeiros motores está inutilizado.

O piloto estreante na primeira classe pela Equipe Gresini Racing, Fabio Di Giannantonio, foi o primeiro a ser socorrido pelo terceiro motor Ducati, ainda no GP da Argentina. A fábrica que fornece unidades de potência para o maior número de máquinas no grid, Ducati, equipa o esquadrão oficial, Pramac, Mooney V46 e Gresini, participa com 8 protótipos em cada prova. Em Austin no Grande Prêmio das Américas, quarta etapa da temporada, Enea Bastianini (Gresini Racing MotoGP) que compete com um modelo GP21, Jack Miller da equipe oficial, Johann Zarco da Pramac Racing e Luca Marini (Mooney VR46 Racing Team) que utilizam modelos GP22, abriram seu terceiro motor por razões de confiabilidade. Nenhum motor Ducati já ficou totalmente inutilizado.

No GP de Algarve em Portugal (Portimão) mais seis pilotos utilizaram o motor número 3. O vencedor da corrida Fabio Quartararo, o companheiro de equipe da Yamaha Franco Morbidelli, a dupla da Suzuki Joan Mir e Alex Rins, o pódio Aleix Espargaro (Aprilia Racing) e o novato Marco Bezzecchi (Mooney VR46 Racing Team).

Oito pilotos ainda não recorreram a um terceiro motor, o que deve acontecer em Jerez ou Le Mans.

Faltam 16 etapas do atual campeonato. É sempre bom lembrar que se o número de motores alocados for excedido a punição mínima é largar do pitlane, o que com o atual nível de competitividade é praticamente abrir mão de um resultado expressivo.

Foi o que aconteceu com Maverick Vinales em 2020 quando, pilotando para a Yamaha oficial foi obrigado a recorrer a um sexto motor, um a mais dos alocados para a temporada encurtada em função da pandemia.
Embora toda a glória de vencer um campeonato recaia sobre o piloto, toda a equipe contribui para resultados na pista.


Pessoal de apoio da equipe Ducati Lenovo
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