13/04/2022 às 20h24min - Atualizada em 13/04/2022 às 19h56min

Depois do Circuito das Américas (CotA)

Carlos Alberto Goldani - stilohouse.com.br
O 500º grande prêmio de MotoGP disputado sob a administração da Dorna foi realizado em Austin, nos EUA, e excedeu as expectativas dos seguidores mais assíduos do esporte. Os espectadores e telespectadores viram um GP com diversas atrações e que resultou na 6ª etapa seguida (contando com as duas últimas de 2021) com vitórias de equipamentos produzidos na Europa.

Existem duas estratégias utilizadas na produção dos motores da MotoGP. A que privilegia a produção de potência com 4 cilindros em V, adotadas pela Ducati, Aprilia, KTM e Honda, e as que apostam em equipamentos mais maleáveis com cilindros em linha, utilizados pela Yamaha e Suzuki. Uma das razões para esta diferença de comportamento pode ser o tamanho da árvore de manivelas (virabrequim), curto nos V4 e mais longo nos cilindros em linha.

O resultado destas estratégias é o maior desempenho dos V4 em retas e o melhor aproveitamento dos cilindros em linha da velocidade nas curvas. Óbvio que diversos outros fatores influenciam o desempenho geral de uma máquina durante uma prova, além do equilíbrio do quadro, aerodinâmica e, principalmente, a técnica de condução dos pilotos.



Um “paredão” de Ducati nas primeiras 5 posições
 
O atual campeão do mundo, Fabio Quartararo, só consegue extrair o melhor desempenho de sua Yamaha quando tem a pista livre, com ampla liberdade para explorar o melhor traçado que permite obter a maior velocidade em curvas, por esta razão o resultado da classificação para o grid de largada foi desastroso para suas pretensões na prova. Um paredão de Ducati nas cinco primeiras posições prenunciava para ele uma prova complicada. Bem que tentou, porém só conseguiu ganhar uma posição na largada, insuficiente para ter alguma esperança na corrida.


 
A desastrosa largada de Marc Márquez
 
A situação do favorito em todas as casas de apostas, Marc Márquez, foi muito pior. Caiu da 8ª colocação no grid de largada para a última posição. A prematura decepção dos espectadores com a performance inicial do seu ídolo, entretanto, proporcionou as condições para uma prova de recuperação espetacular. A Honda é tradicionalmente avarenta em divulgar detalhes de problemas em seus equipamentos. O que aparentemente aconteceu foi que o limitador de velocidade na pitlane foi por alguma razão acionado em conjunto com o holeshot de largada, e a moto só voltou a funcionar normalmente depois do mecanismo ser desarmado na primeira curva. Após um problema técnico na largada que deixou Marc Márquez por último na curva 1, o oito vezes campeão do mundo produziu um retorno inacreditável para assumir o sexto lugar. No final da primeira volta, Márquez já estava em P17, antes de chegar a P14 na volta 3. Embora o progresso tenha sido mais lento a partir desse ponto, Márquez finalmente chegou ao sexto lugar. O que está claro, é que sem o problema no início da corrida, Márquez provavelmente teria conquistado a vitória, dada a sua vantagem de ritmo sobre os demais concorrentes.

A disputa entre Márquez e Quartararo nas últimas voltas pela 6ª colocação, já ambos com os pneus deteriorados, acrescentou emoção que engrandeceu a prova. Já está evidente que Márquez e Quartararo estão um degrau acima dos outros pilotos. No GP das Américas Márquez foi o 6º colocado enquanto Takaaki Nakagami, a outra Honda melhor classificada, ficou com a 14ª posição. No box da Yamaha a diferença entre os pilotos oficiais da fábrica Fábio Quartararo (7º) e Franco Morbidelli (16º) foi de mais de 22 segundos.

 

Márquez e Quartararo ultrapassam Jorge Martin na disputa pela 6ª posição


A vitória foi, pela 2ª vez nesta temporada, da Ducati de Enea Bastianini que, além da alegria ao pessoal da equipe italiana, trouxe algum tipo de desconforto no box da Ducati, o piloto representa uma equipe independente (Gresini) e utiliza um equipamento em tese inferior aos da equipe oficial (Jack Miller & Peco Bagnaia) e da principal satélite Pramac (Johann Zarco & Jorge Martin).  Na classificação do mundial por pontos Bastianini (Gresini Ducati) lidera com 61 pontos e Zarco (Pramac) empata com Miller da equipe oficial com 31 pontos na 7ª colocação. Jorge Martin (Pramac Ducati) está 3 pontos a frente de Peco Bagnaia, da equipe oficial.
 
Tem sido a tônica desta temporada, pilotos cotados para vencer o mundial tem obtido resultados decepcionantes. Nomes que constavam nas casas de apostas de Londres como sérios candidatos a vencer o mundial de 2022, como Fábio Quartararo, Marc Márquez, Peco Bagnaia, Jack Miller e Joan Mir sequer chegaram a liderar o atual campeonato, enquanto “azarões” como Aleix Espargaro e Enea Bastianini eram pouco lembrados.
 


Enea Bastianini ultrapassa Jack Miller faltando 5 voltas para o fim
 

A temporada ainda está no seu início.  Somente 4 provas das 21 previstas já foram realizadas, pouco menos que 20% do total. Na prova do Circuito das Américas Marc Márquez mostrou estar quase totalmente recuperado dos infortúnios que o perseguiram desde seu acidente em Jerez na temporada de 2020. No próximo dia 14/04 tem início no circuito de Algarve (Portimão) a temporada europeia da MotoGP. A expectativa é enorme.
 
Carlos Alberto
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