08/04/2022 às 13h39min - Atualizada em 08/04/2022 às 13h12min

Início da Temporada

Carlos Alberto Goldani - stilohouse.com.br

 Hondas no início da temporada 2022
 

Se havia alguma dúvida do acerto da Dorna em equalizar as condições de disputa do mundial da MotoGP entre fabricantes e pilotos, as três primeiras etapas do campeonato de 2022 acabaram com ela. Em três etapas nove pilotos diferentes, com equipamentos dos seis fabricantes que participam da competição, estiveram no pódio.

Dos 24 equipamentos inscritos no campeonato um terço, oito, são produzidos pela italiana Ducati. Este número não é inédito, já aconteceu em 2016, 2017e 2018, entretanto na época algumas motos eram antigas, não tinham os recursos dos últimos desenvolvimentos e o apoio integral da fábrica. Este ano é diferente, os pilotos oficiais Jack Miller e Peco Bagnaia, os que defendem a Pramac Johann Zarco e Jorge Martin e o piloto da VR46 Luca Marini dispõem de equipamentos de última geração, GP22. Os que foram inscritos pela Gresini Racing Enea Bastianini e Fábio Di Giantonio, além de Marco Bezzechi que completa a equipe VR46 utilizam as motos desenvolvidas para o campeonato do ano passado, GP21. A excelência do modelo GP21 pode ser comprovada pela vitória de Bastianini na etapa inicial do Catar.

 A MotoGP está evoluindo continuamente e esta temporada do mundial está apresentando características inéditas. Houve nove pilotos diferentes nos três pódios das provas já realizadas, fato que não acontecia desde 1952. Este ano (1952) também registra a última ocorrência de cinco vitórias seguidas conquistadas por equipamentos produzidos por indústrias europeias (Incluindo as duas últimas etapas de 2021). As fábricas japonesas tem uma ampla vantagem em resultados nos últimos anos, desde que a MotoGP sistematizou o atual formato (em 2002), Honda, Yamaha e Suzuki contabilizam 284 vitórias, contra apenas 66 das marcas europeias.

A amostra ainda é pequena, só três provas foram realizadas, mas a persistência dos pilotos e o alinhamento de competitividade estão  sendo a tônica da temporada de 2022, os seis melhores classificados pontuaram em todas as provas e a diferença entre eles é de apenas doze pontos. Aleix Espargaro conquistou a sua primeira vitória depois de 200 participações em GPs da principal categoria, que coincidiu com a primeira vitória da Aprilia na classe principal, a única fabricante que ainda opera sob o regime de concessões.
 
Resumo da temporada de 2022
Pos Piloto Motocicleta Catar Indonésia Argentina Pts
1 Aleix Espargaro Aprilia 13 7 25 45
2 Brad Binder KTM 20 8 10 38
3 Enea Bastianini Gresini Ducati 25 5 6 36
4 Alex Rins Suzuki 9 11 16 36
5 Fabio Quartararo Yamaha 7 20 8 35
6 Joan Mir Suzuki 10 10 13 33
7 Miguel Oliveira KTM   25 3 28
8 Johann Zarco Pramac Ducati 8 16   24
9 Jorge Martin Pramac Ducati     20 20
10 Pol Espargaro Honda 16 4   20
11 Jack Miller Ducati   13 2 15
12 Franco Morbidelli Yamaha 5 9   14
13 Maverick Vinales Aprilia 4   9 13
14 Francesco Bagnaia Ducati   1 11 12
15 Marc Marquez Honda 11     11
16 Takaaki Nakagami LCR Honda 6   4 10
17 Luca Marini VR46 Ducati 3 2 5 10
18 Marco Bezzechi VR46 Ducati     7 7
19 Daryn Binder Yamaha RNF   6   6
20 Alex Marquez LCR Honda   3 1 4
21 Andrea Dovizioso Yamaha RNF 2     2
22 Remy Gardner Tech3 KTM 1     1
23 Raul Fernandez Tech3 KTM       0
24 Fabio Di Giantonio Gresini Ducati       0
25 Stefan Bradl Honda       0
 
Que o campeonato apresenta (até agora) características diferenciadas não há dúvidas. As equipes oficiais de fábrica (Ducati e Honda), que povoam o imaginário dos talentos da Moto2, têm apresentado resultados pífios e alguns pilotos que desdenharam convites da Aprilia no final da temporada passada devem estar curtindo algum arrependimento ao constatar que o atual líder da competição (Aleix Espargaro) pilota para a equipe Italiana.

 

Aleix Espargaro – Atual líder do mundial
 

Os pilotos oficiais da Ducati, Jack Miller e Peco Bagnaia não conseguem apresentar resultados superiores às de Johann Zarco e Jorge Martin da satélite Pramac, e a única vez que um piloto de um equipamento Ducati subiu ao degrau mais alto do pódio foi com um modelo GP21, Enea Bastianini defendendo uma equipe independente (Gresini).

A outrora poderosa Honda, com três vitórias em 2021 (Marc Márquez, no Circuito das Américas, Sachsenring e Emília Romagna) repete a síndrome do exército de um homem só. Na satélite LCR Honda, Takaaki Nakagami e Alex Márquez  não conseguem repetir os resultados de Cal  Crutchlow, A fábrica nipônica aposta todas as suas fichas no retorno de seu campeão na próxima etapa de Austin, onde Marc tem um histórico impecável. Só não venceu em 2019 por causa de uma queda, que ele atribui a um erro próprio embora vários jornalistas especializados em MotoGP desconfiem que tenha sido falha do equipamento. Em verdade foi o único GP disputado nos Estados Unidos, em três circuitos diferentes (Indianápolis, Laguna Seca e Circuito das Américas) e em duas categorias (Moto2 e MotoGP) que ele não venceu.


Peco Bagnaia – Vencedor das últimas duas provas em 2021
  
A Yamaha continua bem representada pelo atual campeão, Fábio Quartararo, que conseguiu uma presença no pódio na Indonésia, seu companheiro de equipe Franco Morbidelli e os pilotos da Yamaha RNF, Andrea Dovizioso e Daryn Binder, ainda não entregaram resultados.


O atual líder do campeonato Aleix Espargaro divide o box com Maverick Vinales, que ainda não conseguiu repetir as atuações de temporadas anteriores. A austríaca KTM tem uma dupla de pilotos equilibrada com Brad Binder e Miguel Oliveira, sua satélite  Tech3 paga o preço da inexperiência de Remy Gardner e Raul Fernandez. A Suzuki com Joan Mir e Alex Rins busca, sem sucesso até o momento, reeditar os resultados de 2019. A novidade de 2022 está na presença da VR6, equipe  do multicampeão Valentino Rossi. nos boxes, representada nas pistas por Luca Marini com uma GP22 e Marco Bezzechi com uma GP21.



Luca Marini – Ducati VR46
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