07/06/2021 às 16h26min - Atualizada em 07/06/2021 às 18h25min

Pela 1ª vez, treinamento da seleção de polo aquático alia esporte e ciência

Preparação dos atletas convocados, na Arena ABDA, conta com importantes testes de fisiologia

SALA DA NOTÍCIA Sheila Junqueira - Assessoria de Imprensa ABDA
https://abdabauru.com.br/blog/2021/06/07/pela-1a-vez-treinamento-da-selecao-de-polo-aquatico-alia-esporte-e-ciencia/
Divulgação ABDA

O treinamento da seleção brasileira de polo aquático, na Arena da Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA), entre os dias 3 e 12 de junho, com objetivo de preparação para a disputa do Mundial Sub-20 masculino, em Buenos Aires, é muito mais do que simplesmente uma reunião dos atletas convocados pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

Seis atletas da ABDA participam dos treinamentos. Danilo Falcão Puls, Eduardo Cintra de Paula, Felipe Henrique Gomes Lacerda, João Carlos de Mattos, Murilo Henrique Moreira de Souza e Paulo Ricardo Cruz de Oliveira treinam com mais 26 atletas convocados de outros clubes.

É que, pela primeira vez, a preparação da seleção brasileira, conta com amparo da ciência. “Estamos utilizando tudo que há de mais moderno em termos de preparação, junto com o setor de fisiologia. Isso nunca foi usado, nos dá embasamento para definir o time”, explicou Marcelo Chagas, técnico da seleção brasileira sub-20, que faz sua estreia como convocado no comando do grupo.

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Novas etapas - Os treinamentos seguirão em novas etapas, até a definição da equipe que disputará o Mundial Sub-20, na Argentina, entre 28 de agosto e 5 de setembro. “Provavelmente, os próximos treinamentos também devem ser realizados na Arena ABDA, já que os outros clubes não têm condições no momento de receber os atletas com todos os controles de segurança que tivemos aqui”, adianta Marcelo Chagas.

A rotina de treinamento é intensa e, visando a segurança em meio à pandemia, todos envolvidos foram testados para covid-19. Os atletas se restringem ao traslado hotel/treino/treino/hotel, não é permitida entrada de público na Arena, é feita aferição da temperatura na entrada, bem como disponibilizados túnel sanitizante de ozônio e álcool em gel para higienização constante.

A ABDA disponibilizou para a seleção brasileira, além do fisiologista, todo seu time da equipe multidisciplinar com médica, fisioterapeutas, nutricionistas e estagiários, que ficam full time na borda da piscina à disposição da seleção, trabalhando para evitar lesões e garantir o maior rendimento dos treinamentos. A alimentação dos convocados, composta por almoço, jantar e lanches, é monitorada pelos nutricionistas.

Para o técnico, os treinamentos estão sendo muito proveitosos. “Além da questão tática que estamos implementando, estamos trabalhando muito a parte física, a tática através de testes onde todos são monitorados e avaliados para que participem do Campeonato Mundial os melhores jogadores”, ressalta.

Gabriel Brisola, fisiologista da ABDA, durante teste de lactato em atleta convocado

Gabriel Brisola, fisiologista da ABDA, durante teste de lactato em atleta convocado

Gabriel Brisola, fisiologista da ABDA, durante teste de lactato em atleta convocado

Novidade na avaliação - Durante o treinamento em Bauru, o fisiologista da ABDA Gabriel Brisola é quem avalia a aptidão física dos atletas convocados. Os testes aplicados são referência na literatura com equipes ou seleções da Europa e servem como comparativo entre os atletas brasileiros e a elite do esporte.

“Realizamos 3 testes com os atletas. O primeiro (teste de aptidão aeróbia - multistage shuttle swim test) consistia em nadar em uma velocidade incremental até exaustão. O segundo (teste de pernada alternada) foi realizado com sobrecarga também até a exaustão. O terceiro teste foi feito de surpresa e composto de 400m nado crawl em velocidade máxima, um jogo coletivo e mais 400m nado crawl no máximo”, relatou Gabriel Brisola.

Segundo o profissional da ABDA, o objetivo da fisiologia é monitorar a intensidade de treinamentos. “No polo aquático, usamos marcadores fisiológicos, como monitor de frequência cardíaca e coleta de lactato sanguíneo durante os treinos. Devido à quantidade grande de atletas (foram 32 convocados para este primeiro treinamento) e curto espaço de tempo, ainda não foi possível colocar todo o potencial da fisiologia a favor da seleção. Conforme o grupo de convocados for sendo definido, é possível fazer um trabalho mais fino, mais específico, com menos atletas envolvidos, semelhante ao que realizamos com a equipe da ABDA”, explicou.

Expectativa – O técnico Marcelo Chagas espera que a novidade no treinamento auxilie a seleção brasileira a dar o seu melhor na competição na Argentina. “A expectativa é se apresentar da melhor forma possível, tanto física quanto taticamente. Jogar bem jogo por jogo, sem pensar num primeiro momento em colocação. Sabemos que na Europa estão treinando há muito mais tempo e jogando torneios”, explica.

Independente da colocação que o Brasil venha obter no Mundial Sub-20, o treinamento dos convocados na Arena ABDA já ficou marcado pelo ineditismo na história do polo aquático nacional por aliar esporte e ciência, além de vencer o desafio de preparar os atletas durante um período atípico, tomando os cuidados necessários para a segurança de todos.


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