25/05/2021 às 13h17min - Atualizada em 25/05/2021 às 20h40min

Pesquisas revelam que pandemia e educação financeira impulsionaram o crescimento do sistema de consórcios

Mais de dois mil entrevistados, entre conhecedores e participantes, opinaram sobre o mecanismo como investimento

DINO
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A quebra de recordes históricos nas vendas de novas cotas e o crescimento do volume de participantes no Sistema de Consórcios foram pesquisados e avaliados pela Kantar Divisão de Pesquisa de Mercado, Insights e Consultoria da WPP, durante o período da pandemia da Covid-19, de março de 2020 a fevereiro deste ano, por solicitação da ABAC Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

Entre os diversos objetivos da pesquisa estavam as razões da evolução dos negócios considerando o novo cenário estabelecido e seus efeitos na economia do país. Foram aprofundados também os principais motivos para aquisição de cotas de consórcio. Ainda, foi indagado aos potenciais usuários e usuários quanto às vantagens e desvantagens do mecanismo, identificando eventuais melhorias na mecânica de funcionamento.

Perfil dos entrevistados

Em âmbito nacional, houve pesquisas feitas em dois momentos. A primeira, no início do ano passado, e a segunda, recentemente, que reuniram entrevistas quantitativas e qualitativas com mais de 1.000 consorciados e potenciais consorciados em cada uma, com homens e mulheres da faixa etária dos 18 a 45 anos, das classes sociais A, B e C.

Na metodologia aplicada este ano, foram consultados 62% de conhecedores da modalidade e 38% de usuários, divididos nas seguintes regiões: 43% da Sudeste, 27% do Nordeste, 15% do Sul, 8% do Centro-Oeste e 7% do Norte.

O contexto da pesquisa levou em consideração situações que, inicialmente, pareciam temporárias e que se tornaram mais usuais como o teletrabalho e o consequente aumento da produtividade na nova rotina. Houve mudanças também no comportamento familiar, profissional e social com o isolamento.

Conhecimento do produto

Com este cenário, nos doze meses que separaram o primeiro do segundo levantamento, observou-se equilíbrio nas respostas de conhecedores e usuários de consórcio, com tendência de crescimento em usuários do gênero masculino, 25 a 35 anos, classe C e regiões em geral, exceto na Sudeste.

Com a redução de 61% em 2020 para 59% neste ano dos que declararam que conheciam o consórcio em 2020, mas que nunca aderiram a uma cota, ficou evidenciado avanço do universo potencial de conhecedores sobre a modalidade.

Por outro lado, dos 36% que já haviam participado do Sistema de Consórcios, houve quase a duplicação entre os que já tinham sido consorciados por uma, duas ou três vezes, saltando de 6% no ano passado para 11% em 2021. A fatia dos 3% que nunca ouviram falar se ampliou para 4%.

Motivações para adesões

O novo modo de viver, resultado da influência da pandemia, provocou motivações diferenciadas para adquirir cota de consórcio. Entre os diversos indicativos foi citada a realocação de gastos com vistas a dar um destino ao dinheiro economizado, ou seja, algo tangível como a aquisição de um bem, cujo meio poderia ser o consórcio como substituto da poupança. Como complemento, se deram conta que estavam gastando demais, gerando ansiedade e, em momento de reflexão, concluíram que deveriam se organizar melhor para dispor as sobras em objetivos claros e seguros.

Investimentos ou aquisições de porte estiveram fora de cogitação. Compras à vista não foram prioridade, especialmente quando se tratou de grandes quantias. Houve o sentimento de se manter uma reserva para qualquer emergência.

Paralelamente, algumas atividades econômicas favoreceram-se pela pandemia e tiveram aumento de renda. Ainda que em menor escala, foram exemplos de crescimento, em razão do impacto positivo na receita mensal.

Como um último apelo, notou-se entre os que mantiveram suas rendas um aproveitamento junto às empresas que precisavam "vender".

Fontes de informações

A principal fonte de conhecimento dos consorciados continuou sendo os parentes e os amigos. Enquanto em 2020 eram 28%, neste ano cresceu sete pontos percentuais, alcançando 35%.

Em segundo lugar, ficaram as concessionárias, lojas, bancos, com 32%, um ponto percentual menor que o ano passado, com 33%. Na sequência, ainda em 2021, esteve a influência das propagandas na televisão com 14%, sete pontos inferiores aos 21% de 2020. Os demais 17% foram resultados das propagandas na internet e os comentários em sites ou redes sociais.

Semelhanças observadas

Entre os diversos perfis analisados, houve semelhanças na administração das finanças pessoais, principalmente na ausência do hábito da poupança. Sem considerar aspectos básicos da educação financeira, observou-se principalmente que os entrevistados não economizam eventuais sobras ao final de cada mês.

Fatores emocionais como o isolamento, mudança na rotina de trabalho, ansiedade, controles financeiros domésticos, também estavam citados na pesquisa. Ainda, a convivência entre o aumento do custo de vida e o não reajuste de salários impactaram na sensação de insegurança e incertezas com consequente medo do futuro, até no questionamento sobre a validade de poupar.

Mesmo sem ter disciplina para guardar dinheiro, diversos entrevistados, ao serem questionados sobre poupar ou investir, afirmaram que o compromisso com o consórcio, via boleto mensal, provoca o compromisso do pagamento, fato que, se fosse o tradicional depósito em poupança talvez não ocorresse.

Em outras justificativas, foram citadas mais razões em favor da adesão ao consórcio: taxas menores, ausência de juros, custo final menor, exemplificadas com um financiamento de um veículo e sua despesa total.

Experimentação, adesão e vantagens

Entre os motivos mais citados para adesão aos consórcios de carros, motos, imóveis ou serviços estiveram: "parcelas eram compatíveis com a minha renda", justificativa que avançou de 42% em 2020 para 51% neste ano, bem como as menções sobre "parcelas que cabiam no meu bolso", com evolução de 38% (2020) para 41% (2021).

"Em análise dos comentários citados em 2020 e 2021, quando da convivência com a pandemia da Covid-19, observou-se resultados de consorciados com perfis conscientes do conhecimento básico sobre educação financeira", diz Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC.

"Constatou-se, também, a contribuição desse consagrado mecanismo de autofinanciamento para a evolução da consciência individual sobre a boa gestão das finanças pessoais, como inibir compras por impulso e com fortalecimento do consumo responsável", complementa.



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