17/03/2021 às 14h25min - Atualizada em 17/03/2021 às 13h30min

Faltam poucos dias

Carlos Alberto Goldani - stilohouse.com.br

Catar 2016 - Vitória de Jorge Lorenzo

Se um cavalo for vitorioso em um páreo pode ter tido sorte, se acontecer outra vez pode ser coincidência, a terceira vitória, entretanto, não pode ser atribuída a condições casuais, qualquer jogador deve considerar seriamente a possibilidade de apostar no cavalo.

Jorge Lorenzo foi campeão mundial da MotoGP em cinco oportunidades, duas na categoria 250cc e três na MotoGP, sua qualidade como piloto é indiscutível. Até um jargão novo foi incorporado à terminologia da competição em sua homenagem, o chamado “Modo Lorenzo” que consiste em tomar a ponta na largada e manter a liderança durante toda uma prova.

Em uma época em que Honda e Yamaha monopolizavam as vitórias Lorenzo, campeão da 250cc, foi contratado pela Yamaha em 2008 para ser uma alternativa à Valentino Rossi, um touro novo para lembrar ao touro velho que não podia se acomodar. Rossi venceu os campeonatos mundiais de 2008 & 2009 mostrando para o novato quem mandava na equipe, Lorenzo, como mesmo equipamento, foi respectivamente 4º e 2º.

Jorge Lorenzo venceu seu primeiro mundial da principal categoria em 2010 com sobra, faltando ainda 3 provas para terminar a temporada. Classificou-se para o pódio em 16 das 18 corridas - incluindo nove vitórias – e acumulou um total de pontos recorde, 383, 10 a mais do que o melhor resultado anterior alcançado por Valentino Rossi em 2008 (ambas realizações foram superadas por Marc Márquez em 2019). Em 2010 Valentino Rossi sofreu um acidente no GP da Itália disputado em Mugello, quebrou uma perna e ficou afastado por 3 etapas, Jorge conquistou o título com facilidade

Utilizando seu privilégio, ostentou durante toda a temporada de 2011 o número 1 em seu protótipo. Graças ao brilhante desempenho de Lorenzo em 2010, na renovação de contrato Rossi não conseguiu da Yamaha a formalização de status de 1º piloto da equipe e, desgostoso, aceitou o desafio de formar com a Ducati uma equipe “Puro Sangue”, moto e piloto italianos.

Em 2012 Lorenzo voltou a ser campeão em outra excelente temporada, 6 vitórias e 10 segundos lugares. O último mundial de Jorge Lorenzo aconteceu em 2015, após uma disputa interna implacável com Valentino Rossi e só foi decidida na última prova. A história de Jorge Lorenzo na MotoGP foi manchada pela heresia de vencer VR46, seu colega de equipe. em três anos (2010, 2012 e 2015) com equipamento absolutamente igual, isto lhe causou um ambiente cáustico dentro da Yamaha e resultou na sua migração para a Ducati.

Na fábrica italiana, o piloto de Palma de Mallorca foi protagonista de 2 momentos insólitos, o primeiro foi no GP de Sepang em 2017, 17ª etapa da temporada, Jorge Lorenzo com uma Ducati oficial liderava seguido pelo companheiro de equipe Andrea Dovizioso, Márquez ocupava a 4ª posição e os resultados de pista o estavam indicando como campeão da temporada com uma prova de antecedência. Faltando 6 voltas para o final o painel da moto #99 recebeu uma mensagem enviada pelo box: “ Suggested Mapping: Mapping 8”. Duas voltas depois Lorenzo abriu demais uma curva e permitiu a ultrapassagem do colega, a vitória do italiano deu uma sobrevida nas aspirações da Ducati em ter um piloto italiano coroado campeão do mundo. No encerranento da temporada, em Valência, o comando foi insistentemente repetido e Lorenzo simplesmente ignorou, Dovizioso só teria chances se Márquez não estivesse entre os 10 primeiros (estava em 5º), portanto o jogo de equipe não fazia sentido.

Jorge Lorenzo conquistou suas últimas 3 vitórias na MotoGP com a Ducati em 2018.Sua temporada em 2019 na equipe campeã do mundo, Repsol Honda, foi um desastre. O único evento do ano em que foi protagonista aconteceu no GP de Barcelona quando na segunda volta caiu e tirou da prova 4 dos 5 líderes (além do próprio, Dovizioso, Vinales e Rossi). Dias depois sofreu um violento high-side em um teste que comprometeu a sua temporada. Seu contrato com a Honda foi cancelado e ele ficou livre para assumir o posto de piloto de testes da Yamaha em 2020, cujo trabalho foi muito limitado em função da pandemia.

O JR99 com 68 vitórias em GPs oficiais é o 6º maior vencedor da história da MotoGP, fica atrás apenas de Giacomo Agostini (122), Valentino Rossi (115), Angel Nieto (90), Marc Márquez (82), Mike Hailwood (76).

 

Museu World Champions 99
 
Se as virtudes e méritos de Jorge Lorenzo como piloto não podem ser contestados, a sua conduta pessoal é questionável. A iniciativa de manter o museu "World Champions 99" em Andorra, com o acervo pessoal de suas lembranças coletadas na MotoGP e Fórmula 1 (tinha até um capacete que foi utilizado por Ayrton Senna) teve curta duração. Embora tivesse uma reputação excelente no Trip Advisor (como atração turística) o local foi fechado sem explicações. Houve boatos sobre um desentendimento com autoridades de Andorra em questões relacionadas com impostos, nada oficial foi divulgado.

O tricampeão mundial da MotoGP é um dos 63 únicos proprietários do exclusivo Lamborghini SVJ 63 Roadster, que tem produção limitada. Com certeza adquiriu com recursos próprios advindos do seu trabalho nas pistas, porém antes de ser um objeto para satisfação pessoal parece mais um fator de exibicionismo desnecessário no ambiente da MotoGP.



Jorge Lorenzo & seu exclusivo Lamborghini SVJ 63 Roadster



Cal Crutchlow com uma pintura de carenagem diferenciada em Losail
 

Ao ser preterido por Cal Crutchlow para o cargo de piloto de testes da Yamaha nesta temporada, em uma entrevista disse que a fábrica estava trocando um medalhista de ouro (ele próprio) por um medalhista de bronze (o britânico tem apenas 3 vitórias na MotoGP). Também mostrou mágoa e pouco caso ao comentar a pintura comemorativa (livery) que o piloto inglês utilizou no último teste no Catar. Nos últimos dias o piloto alimentou discussões via rede sociais com Jack Miller, totalmente desnecessárias.

O ambiente do paddock e boxes da MotoGP é viciante. Frequentemente antes das provas (e da pandemia) as câmeras de TV buscavam campeões aposentados prestigiando os eventos. Giacomo Agostini e Mick Doohan, grandes figuras do passado, eram pules de dez, quase sempre estavam presentes. Jorge Lorenzo aparenta aspirações maiores que apenas prestigiar eventos.
  
A contagem regressiva para a temporada 2021 da MotoGP já começou. Encerrados os últimos testes no Catar, faltam menos de duas semanas para o início da rodada dupla no circuito de Losail. Como a pandemia do Corona Vírus ainda resiste, é provável que 2021 tenha o mesmo nível de incerteza de 2020.
 


Nova carenagem dianteira da Desmosidici GP21 buscando criar um efeito-solo

 
O resultado dos testes, que quando muito podem indicar uma tendência, não apresentaram nenhuma grande novidade. A Ducati venceu em Losail nos anos de 2018 e 2019 com Andrea Dovizioso e seus equipamentos aprovaram. As performances confirmaram que a velocidade em reta é um diferencial da Desmosedici GP21, 5 dos 6 equipamentos italianos na pista estiveram entre os com maior velocidade final. Na representação da Ducati com seus pilotos Jack Miller e Francesco Bagnaia (equipe oficial) e Johann Zarco (Pramac Racing) estão beirando a barreira de 360 km/h e seus protótipos não apresentaram nenhuma deficiência óbvia.

A usina de criatividade da fábrica de Bologna equipou a Desmosedici com uma nova aerodinâmica dianteira, desta vez buscando inspiração na Fórmula 1 e tentando obter algum efeito solo para possibilitar maior aderência nas curvas, uma “caixa de salada” diferente e um “holeshot” dianteiro semelhante ao que é utilizado na maioria das fábricas.

O fato de ter obtido 7 vitórias em 14 provas na temporada passada é a credencial da Yamaha nesta temporada, com o desenvolvimento da M1 a cargo de Fábio Quartararo e Maverick Vinales. Em todas as etapas de testes houve na Yamaha a preocupação de marcar voltas rápidas. A observação das M1 na pista mostra que o A-Spec (2019) de Franco Morbidelli continua competitiva, as Factory-Spec de Quartararo, Vinales e Rossi apresentaram melhoras, sem nada que justifique muito entusiasmo. Em todos os períodos de testes, a moto conduzida por Valentino Rossi foi a última da fábrica nas tabelas de tempos.

Suzuki e KTM não impressionaram por suas performances na pista e não apresentaram grandes inovações exteriores. A Suzuki trabalhou muito no chassi e na balança do GSX-RR e ocultou com habilidade alguma mudança de comportamento do equipamento, se é que houve alguma.Os sentimentos dos testes não resultaram em muito otimismo para a KTM., talvez até pelo fato de não terem um histórico anterior em Losail. Os pilotos oficiais Brad Binder e o promovido Miguel Oliveira obtiveram vitórias em 2020 e acreditam que serão competitivos graças ao seu notável conhecimento de um RC16. O protótipo apresenta uma nova carenagem frontal mais estreita com “dentes de tubarão”. A satéliteTech3 que obteve suas primeiras vitórias em 2020 espera repetir o feito este ano, agora com os pilotos Danilo Petrucci e Iker Lecuona.

Incertas são as possibilidades de (finalmente) sucesso da Aprilia, resultantes dos resultados obtidos nos testes por Aleix Espargaró. Sem a presença de seu líder Fausto Gresini, vitimado pela Covid, e com uma máquina totalmente nova o fabricante italiano tem muitas esperanças nesta temporada. A fábrica formulou um convite, que foi aceito, para o piloto Andrea Dovizioso participar 3 dias de testes no próximo mês.

A grande perdedora de 2020, a Honda Racing Company, coleciona vários indicadores que este ano possa ser diferente. Após estar ausente durante toda a temporada passada, Marc Márquez está inscrito provisoriamente para a prova de abertura de 2021 e já foi liberado pelos médicos para iniciar exercícios para recompor a sua musculatura. Já divulgou vídeos praticando com uma RC213V-S (Superbike Modelo comercial) em Barcelona. O simples retorno do grande líder da equipe já motiva o pessoal dos boxes.

 


Marc Márquez em Barcelona
 

A HRC tem mais motivos para otimismo graças à adaptação ao equipamento do novo companheiro de equipe de Marc, Pol Espargaró, Seu estilo agressivo combina com o equipamento e nos últimos 3 dias de testes Pol pilotou a Honda mais veloz da pista.

Liderada por Stefan Bradl, a HRC também testou três chassis diferentes durante alguns dias muito intensos para Takaaki Nakagami (LCR Honda Idemitsu) e seu novo parceiro, Alex Márquez (LCR Honda Castrol). Todas as Honda sofreram acidentes em Losail enquanto procuravam estabelecer seus limites. O irmão mais jovem dos Márquez foi o mais prejudicado, teve uma fratura do quarto metatarso no pé direito após uma queda violenta.
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